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O mês em que mais vi filmes

18/11/2013

Sim, eu escrevi outras críticas nesse meio tempo, postei no Fila K e deixei o Fakeline de lado, mas isso não importa. Como eu fui ver o número de acessos do blog, e tudo continua numa média de 20 por dia, mesmo com meses sem posts novos, decidi que valia a pena tentar reviver a brincadeira aqui.

E o primeiro passo para fazer isso, me parece, é comentar sobre esse Outubro de 2013, que foi de longe o mês em que mais vi filmes.

Então agora seguem comentários brevíssimos, ou nem tanto, sobre todos esses filmes:

01 – O Enigma de Outro Mundo (The Thing, EUA, 1982) – ***

O suspense em alguns momentos é muito intenso e muito legal, o gore é excelente, e os sustos aparecem na medida certa. Mas os personagens são muito idiotas, em nada lembrando exploradores e cientistas baseados na Antártida.

01 – No Calor da Noite (In The Heat Of The Night, EUA, 1967) – *****

Intrigante desde os primeiros minutos, esse ótimo policial traz uma dinâmica perfeita entre Sydney Poitier e Rob Steiger e uma discussão importante sobre racismo e decisões precipitadas.

01 – The Brown Bunny (The Brown Bunny, EUA, 2003) – ***

O filme que ficou famoso graças à injustamente infame cena do boquete que a Chloë Sevigny faz no Vincent Gallo. A narrativa é construída bem devagar, com longos planos de vão do nada ao lugar nenhum, tudo para apresentar o estado de espírito deprimido do protagonista. Esteticamente é interessante, mas também muito arrastado e chato.

01 – 2019: O Ano da Extinção (Daybreakers, Austrália/EUA, 2009) – ***

O roteiro faz uma abordagem não usual a respeito do tema “filme de vampiros”, criando metáforas interessantes para a descriminação racial e étnica, mas a trama deixa a desejar.

01 – Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros (Abraham Lincoln: Vampire Hunter, EUA, 2012) – **

As cenas em câmera lenta do personagem título destruindo “vampiros” com o machado são legais. O resto é um lixo. E não botei aspas em “vampiros” por acaso, já que, andando em plena luz do sol, em momento algum aquelas criaturas lembram vampiros.

02 – Gosto de Sangue (Blood Simple, EUA, 1984) – ****

O primeiro filme dos Irmãos Coen tem uma trama simples, mas é incrivelmente tenso e consegue explorar os máximos de situações ordinárias.

02 – Christine: O Carro Assassino (Christine, EUA, 1983) – ****

Pouco sangue e quase nenhuma cena de morte, mas muito desenvolvimento de personagens e bastante suspense fazem desse um dos melhores filmes do John Carpenter – e uma das melhores adaptações de Stephen King, arrisco dizer.

02 – Arizona Nunca Mais (Raising Arizona, EUA, 1987) – ****

Depois de um show de tensão, os Coen chamam Nicolas Cage e fazem uma comédia atípica, original e divertidíssima.

03 – Como Roubar Um Milhão de Dólares (How to Steal a Million, EUA, 1966) – ****

Fiquei com esse filme dentro da caixinha do DVD por meses porque a capa, os comentários, o elenco, absolutamente tudo dava a entender que seria uma comédia romântica. E é uma comédia romântica, só que é uma comédia romântica muito boa, e também é um heist movie criativo e divertido que rivaliza com Onze Homens e um Segredo.

03 – Rush: No Limite da Emoção (Rush, EUA, 2013) – ****

Alguns dizem que é o melhor filme já feito sobre Fórmula 1. Não sei, mas que é um filme muito bom, é sim, e é um dos melhores filmes do Ron Howard. As cenas de corrida estão entre os melhores momentos do cinema em 2013, Daniel Brühl vive um Nicki Lauda perfeito, e a trilha do Hans Zimmer é sensacional.

03 – Almas Gêmeas (Heavenly Creatures, Nova Zelândia, 1994) – ****

A interação entre Kate Winslet e Melanie Lynskey é tocante, a direção de Peter Jackson é incrivelmente delicada, e o final é destruidor de almas.

04 – Ajuste Final (Miller’s Crossing, EUA, 1990) – *****

Acho que esse é o melhor filme dos Coen. Certamente é aquele com o roteiro mais complexo.

05 – O Justiceiro Mascarado (Franklyn, França/Inglaterra, 2008) – ****

Um filme sobre histórias. Não se deixem enganar pelo título idiota em português. A parte do “justiceiro mascarado” é apenas uma parte do filme. Uma de várias histórias que se entrelaçam de forma surpreendente e criativa.

05 – Os Candidatos (The Campaign, EUA, 2012) – ***

É mediano na maior parte do tempo, mas tem momentos de brilhantismo e algumas críticas severas às campanhas políticas norte-americanas.

05 – Carne (Carne, França, 1991) – ***

Gaspar Noé no início de carreira já era cruel.

05 – Sozinho Contra Todos (Seul Contre Tous, França, 1998) – ****

Dando continuidade à história, iniciada em Carne, do açougueiro de cavalos que perde o emprego, a filha e se vê sem razão de viver, esse filme aqui consegue ser extremamente brutal e tocante ao mesmo tempo. Não sei como Noé conseguiu isso.

06 – Vingança Sem Limites (The Girl From The Naked Eye, EUA, 2012) – ***

As cenas de luta são muito bem coreografadas e divertidas, mas o filme perde a força quando tenta dar uma de noir e fazer o protagonista lançar monólogos pretensiosos no ar enquanto o roteiro pausa para flashbacks que quebram o ritmo da narrativa.

07 – Equilibrium (Equilibrium, EUA, 2002) – ****

Uma mistura da estética de Matrix e da narrativa de Um Vingador do Futuro e com várias nuances de ficção científica espalhadas pelo filme, esse é um excelente exemplo de filme de ação que não deixa a história de lado.

07 – Reino de Fogo (Reign of Fire, EUA/Inglaterra, 2002) – ***

A atmosfera é legal, o elenco é bom, e os efeitos são ótimos, mas a história é pouco interessante e mal desenvolvida.

08 – Cypher (Cypher, Canadá/EUA, 2002) – ****

Uma daquelas joias que vão direto para vídeo. Ficção científica divertida e cheia de reviravoltas inesperadas.

08 – Alucinações do Passado (Jacob’s Ladder, EUA, 1990) – ****

No final, nada faz muito sentido, mas a angústia e a tensão crescentes até lá são dificilmente ignoradas.

08 – Acorrentados (The Defiant Ones, EUA, 1958) – *****

Nessa crítica pesadíssima ao racismo, Sydney Poitier e Tony Curtis crescem como atores junto com o crescimento emocional dos seus emblemáticos e ricos personagens.

08 – Zift (Zift, Bulgária, 2008) – ***

Não dá para definir Zift em apenas um gênero. Por um lado, isso é bom, pois mostra que o filme é criativo e tenta sair do lugar comum. Por outro lado, é ruim, pois mostra que o roteiro e a direção não sabiam muito bem como fazer isso.

09 – O Grito (Ju-on, Japão, 2002) – **

Chato, mal feito e com poucos momentos de tensão, esse é mais um dos incompreensivelmente adorados exemplares do terror japonês.

10 – Metallica: Through The Never (Metallica: Through The Never, EUA, 2013) – ***

A história não existe e o projeto é apenas uma desculpa para exibir um show no Metallica no cinema. Mas quem conseguiu ver o “filme” no IMAX não se arrependeu, porque o som da banda naquele sistema de som sensacional do IMAX é algo para nunca mais esquecer.

11 – Riddick 3 (Riddick, EUA, 2013) – ****

Olha, eu não vi Eclipse Mortal, nem A Batalhe de Riddick, mas gostei bastante desse Riddick 3, que consegue se sustentar sozinho muito bem sem o arco narrativa dos filmes anteriores e oferece diversas cenas de suspense.

12 – Delicatessen (Delicatessen, França, 1991) – ****

O filme de estreia de Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro é surpreendentemente criativo em todos os sentidos.

13 – O Fabuloso Doutor Dolittle (Doctor Dolittle, EUA, 1967) – **

Muito, muito, muito mais longo do que deveria e com números musicais sem a menor criatividade, é um filme chato pra caramba que só merece ser lembrado pelo discurso pró-direito dos animais.

14 – Starman: O Homem das Estrelas (Starman, EUA, 1984) – **

A única coisa interessante aqui é a atuação de Jeff Bridges, porque o resto ou é chato, ou não faz sentido, ou é esquecível.

15 – Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses (Dragon Ball Z: Kami to Kami, Japão, 2013) – ***

Divertido e engraçado, fazendo piadas a respeito dos clichês da série, o filme peca por não oferecer nada de novo.

16 – Os Suspeitos (Prisoners, EUA, 2013) – *****

Um dos melhores filmes do ano. Tenso, tocante e intrigante como poucos.

16 – Nove Crônicas Para um Coração aos Berros (Brasil, 2013) – ***

A primeira metade é arrastada e não parece justificar as várias histórias paralelas, mas aos poucos o filme engrena e demonstra um senso de humor maravilhoso.

17 – Rota de Fuga (Escape Plan, EUA, 2013) – ***

Stallone e Schwarzenegger juntos, só isso já vale o filme. A direção é suficientemente criativa para tentar mascarar os furos do roteiro, e Schwarzenegger tem a melhor atuação da sua carreira – e ele consegue isso apenas ao berrar em alemão enquanto finge um ataque de pânico.

17 – Gravidade (Gravity, EUA, 2013) – *****

Alfonso Cuarón sendo gênio e quebrando paradigmas cinematográficos. Um dos poucos filmes que literalmente me deixaram sem fôlego.

18 – Os Aventureiros do Bairro Proibido (Big Trouble in Little China, EUA, 1986) – ***

É divertido e tem algumas boas cenas de ação, mas o roteiro é tão viajado, que em momentos a história simplesmente se torna absurda demais.

19 – Death Game (Death Game, EUA, 1977) – ****

À parte o bigode excessivamente setentista do protagonista, o filme é incrivelmente tenso e cruel no seu retrato cru de um evento real.

19 – Incêndios (Incendies, Canadá, 2010) – *****

Acaba o filme e tu sente tua alma pisoteada e chutada pra longe. A narrativa é dramática e intrigante na medida certa, e o final é surpreendente e destruidor.

20 – Shaft (Shaft, EUA, 2000) – ***

Não fosse a intensidade de Samuel L. Jackson e a pilantrice de Christian Bale, esse seria apenas mais um filme policial.

21 – Carlos, O Chacal (Carlos, França, 2010) – *****

Esse filme é foda. São mais de cinco horas e quando acaba tu pensa que poderia ver mais cinco.

22 – A Mão do Diabo (Frailty, EUA, 2001) – **

Um daqueles casos em que o final estraga o filme todo.

23 – Aquário (Fish Tank, Inglaterra, 2009) – ****

Estreia chutadora de bundas da atriz Katie Jarvis nesse forte drama neorrealista da diretora Andrea Arnold.

23 – O Capital (Le Capital, França, 2012) – *****

Costa-Gavras mostra que continua afiado, não só como um bom diretor, mas como um crítico ferrenho do capitalismo selvagem, fazendo desse seu O Capital um excelente thriller passado dentro do mundo da especulação financeira.

23 – Gravidade (Gravity, EUA, 2013) – *****

Tão bom e intenso quanto da primeira vez.

24 – Os Mercenários 2 (The Expendables 2, EUA, 2012) – ***

Melhor que o primeiro, mas ainda longe da epicidade a que um elenco daqueles permitiria um bom diretor chegar.

25 – Quero Matar Meu Chefe (Horrible Bosses, EUA, 2011) – ***

Poderia contar com uma trama mais desenvolvida, mas independente disso consegue ser muito engraçado em vários momentos graças à boa dinâmica do elenco e a todas as cenas com Kevin Spacey.

25 – A. I. Inteligência Artificial (A. I. Arfiticial Intelligence, EUA, 2001) – ***

Estou até agora tentando entender porque tanta gente odeia esse filme.

26 – Príncipe das Sombras (Prince of Darkness, EUA, 1987) – *

Um lixo em todos os sentidos possíveis. Talvez o pior filme de John Carpenter (e só não afirmo com certeza porque ainda não vi todos).

27 – Fahrenheit 11 de Setembro (Fahrenheit 9/11, EUA, 2004) – *****

Só agora eu vi, ok? Mas, mesmo já sabendo de várias coisas apresentadas nesse documentário, ainda assim fiquei intrigado com a forma como Michael Moore foi desencravando as intrigas entre a família Bush e a família Bin Laden.

27 – Argo (Argo, EUA, 2012) – *****

Revisto depois de um ano, Argo continua intrigante e tenso na medida certa, e eu continuo discordando de quem reclama do terceiro ato.

28 – Sobrenatural (Insidious, EUA, 2011) – ***

Tem uma premissa melhor que seu desenvolvimento, mas ganha pontos por contar com personagens que fogem da imbecilidade presente em tantos outros filmes do gênero.

29 – Capitão Phillips (Captain Phillips, EUA, 2013) – *****

Paul Greengrass prova de uma vez por todas que é um dos melhores diretores da atualidade, e aquele que melhor consegue fazer suspense até da situação mais banal possível. Bônus por garantir que Tom Hanks entregue a melhor performance de sua carreira desde Náufrago.

Sim, não me perguntem como eu consegui ver tantos filmes ao longo de outubro e mesmo assim falhar em ver filmes nos últimos dois dias do mês.

2 comentários

  1. Muitos filmes interessantes. Sei que alguns estão te criticando por achar Carpenter um meio-termo, mas tudo que vi do diretor também não me arrebatou, incluindo CHRISTINE e mesmo O ENIGMA DE OUTRO MUNDO, que constam nessa lista. Esse ano também me coloquei a ver o que me faltava dos Coen (só me restam O HOMEM QUE NÃO ESTAVA LÁ e NA RODA DA FORTUNA) e descobri o impecável AJUSTE FINAL (que tem um tema de Burwell que me arrepia sempre que escuto). Vejo CAPITÃO PHILLIPS em breve, e não nego estar ansioso para ver o querido Tom Hanks brilhando. Parabéns pelos vários filmes, e não abandone o blog.😉


    • Muito obrigado pelo comentário e pelo incentivo de não abandonar o blog!
      E também fico feliz em saber que não estou sozinho em achar Carpenter superestimado, haha🙂



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