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Homem de Ferro 3

28/04/2013

Homem de Ferro 3 é melhor que o 2, inferior ao 1, contém boas cenas de ação, um senso de humor maravilhoso, e um sensacional tema musical original para o herói. Por que, então, vou dizer que pessoas irão se decepcionar?

Porque o arco narrativo do filme se estrutura todo em cima de um artifício que Alfred Hitchcock batizou de ‘MacGuffin’. Há uma revelação sobre a verdade por trás de determinado personagem que irá surpreender a (quase) todos, e irritar alguns outros.

Mas, quer saber? Foda-se.

Tem gente que reclamou de O Cavaleiro das Trevas Ressurge pelo fato de Bruce Wayne passar a maior parte do filme como ele mesmo e não como Batman. Em Homem de Ferro 3 – que tem muito do terceiro Batman nele, aliás –, Tony Stark fica quase o filme todo fora do traje de lata que o deixou famoso. Pessoas vão reclamar disso também? Vão. Tem alguma importância? Não. O filme funciona muito bem… Apesar disso? Ou justamente em função disso?

Voto pela segunda opção.

Homem de Ferro 3 tem seus problemas, claro, mas Tony Stark fora do traje não é um deles, e muito menos o é o MacGuffin referido antes.

A maior parte do imenso sucesso que o Homem de Ferro fez no cinema se deu graças à persona divertidíssima com a qual Robert Downey Jr. pincelou o personagem de Tony Stark, aquele egocêntrico e irresistível playboy gazilionário. Isso fica claro no final já no final do primeiro filme, quando Stark afirma na frente da coletiva de imprensa que ele é o Homem de Ferro. Essa autoafirmação está na natureza do personagem. E como o próprio Stark diz nesse terceiro filme, o traje é apenas uma carapaça.

Um filme APENAS sobre Tony Stark já faria uma boa bilheteria. O timing cômico de Downey Jr. daria conta do recado numa boa.

Quem reclamar da ausência do “Homem de Ferro” nesse Homem de Ferro 3 é porque queria ver filme do Michael Bay. Vai lá pros Transformers da vida ser feliz, amigo. E olha que apesar de Tony não vestir o traje com tanta frequência, esse talvez seja o longa da franquia com mais cenas ação.

Excelentes cenas de ação, aliás. É uma pena que eu tenha conferido o filme em 3D, que é convertido, vagabundo, raso, e só serve para escurecer a imagem e jogar para longe a nitidez das sequências mais agitadas – que numa sessão 2D tenho certeza que devem soar compreensíveis e mais empolgantes. Os costumeiros efeitos visuais (e sonoros) excelentes de filmes da Marvel fazem seu trabalho de forma admirável, principalmente na batalha final, que envolve várias tomadas de ação paralelas num mesmo ambiente – e para a fluência dessa ótima cena também contribui a competente montagem de Peter S. Elliot e Jeffrey Ford (este último já tendo montado Os Vingadores e Capitão América), que jamais deixa o espectador confuso, mesmo nos momentos mais movimentados e cheios de cortes.

Agora, voltando a falar da armadura de Stark (UI!), só pra esclarecer um ponto, sobre o estar-em e o estar-fora, como poderia dizer Heidegger, se este viesse a escrever uma crítica de cinema sobre Homem de Ferro 3. A única coisa relacionada à lataria de Stark que de fato incomoda um pouco (num nível pessoal) é a falta de foco do personagem. Desde que ele saiu daquela caverna afegã em 2008, o gênio não parou de fazer trocentos modelos diferentes da Mark I – julgando pelo fato de a Mark 42 ser o protótipo mais recente, dá pra deduzir que ele tenha construído, portanto, quarenta e duas armaduras(!). Ajuda a reforçar a personalidade ATUCANADA de Stark, e a ilustrar o efeito dos ataques de ansiedade que vem sofrendo desde os eventos retratados em Os Vingadores, mas não deixa de ser um pouco decepcionante não haver alguma armadura definitiva. Só que, como isso é um detalhe muito bem explorado (e até criticado) pelo roteiro, e como há uma justificativa dramática para tal, compreende-se o fato.

Justificativa também há para o Mandarim e para os motivos que o regem. Não dá pra comentar sem explicitar spoiler dos grande, ou no mínimo sugerir uma reviravolta que, ao se ter suspeita prévia dela, perde bastante de seu efeito quando a hora chega. Basta dizer que, ao julgar pela linha da narrativa, a decisão do diretor/roteirista Shane Black de abordar o personagem por aquele ângulo é totalmente compreensível, e faz toda a porra do sentido, além de criar um arco dramático bem redondinho.

O que não faz sentido é, com a iminência de um ataque terrorista de marca maior para cima da cabeça do presidente dos EUA, por que raios, sei lá, o Capitão América não fez nada pra ajudar? O Thor tá ocupado em, tipo, outra dimensão, o que justifica sua ausência, mas onde estão Seiya e os outros…? Ops, universo errado. Onde estão o Capitão e os outros Vingadores? Sim, é um filme do HOMEM DE FERRO, ele é para ser a estrela, mas não basta só citar os eventos dos outros filmes da franquia na expectativa de situar o espectador dentro dessa história “transnarratívica” que são os filmes da Marvel. Cadê a porra da S.H.I.E.L.D num momento em que o Mandarim tá literalmente tocando o terror pra cima de todo mundo? Precisava explicar porque o Tony tá sozinho nessa.

Outra coisa que não cola é o monólogo que abre e fecha o filme. Embora, me parece, a ideia de usar narração seja para dar um ar de clousura (neologismo que inventei agora e que serve como tradução literal da palavra inglesa “closure”, que significa “fechamento”) para as aventuras solo do personagem – afinal, o terceiro capítulo de uma trilogia sempre implica nisso –, o monólogo soa apenas manhoso, melodramático, esquemático e definitivamente não-Tony-Stark-style. Não precisa. Tipo, mesmo. O filme poderia começar com o flashback de 1999 numa boa, o que renderia maior energia e urgência à trama. E sim, existe uma justificativa narrativa para a narração (pelo menos isso!), que fica clara na cena pós-créditos, mas que, apesar de muito divertida, é uma cena que, de certa forma, diminui a força da história ao fazer o filme todo soar como um gigante e megalomaníaco flashback que se passa durante algum pedaço de Os Vingadores 2.

Findando a discussão, concluo que Homem de Ferro 3 tem muito mais acertos que erros. E vale dizer que o compositor Brian Tyler faz aqui o melhor trabalho de sua carreira (que não era muito expressiva, mas ok), e finalmente carimba musicalmente a persona do Homem de Ferro no espectro cinematográfico da sétima arte (ó que fala bunita!) com um imponente tema musical que é construído aos poucos e que se solidifica de forma linda na empolgante balada que toca durante os belos créditos finais, que servem como uma pequena e bela retrospectiva dos outros filmes do personagem.

Obs: estou pensando em escrever um texto para discutir o Mandarim e a polêmica que o circunda.

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