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Sete Psicopatas e um Shih Tzu

08/01/2013

Na Mira do Chefe (In Bruges, Ingleterra, 2008), longa de estreia do britânico Martin McDonagh, foi um filme para o qual as distribuidoras não deram a mínima bola, tanto é que no Brasil recebeu esse título bostíssimo, além de ter sido lançado direto em DVD. Mas as associações de críticos dos EUA prestaram atenção e prestigiaram a produção da forma que puderam, tanto é que houve buzz suficiente, tardio, mas suficiente para o filme conseguir uma bem merecida indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original.

Agora, com Sete Psicopatas e um Shih Tzu (Seven Psycopaths, Ingleterra, 2012), segundo trabalho de McDonagh, não houve esse problema, e, apesar do enfeiamento desnecessário na tradução nacional do título, o filme conseguiu chegar aos cinemas. O que não deixa de ser irônico, pois é um filme bastante inferior a Na Mira do Chefe, embora ainda suficientemente engraçado.

Sete Psicopatas - cartaz

O filme acompanha a trajetória de Marty (Colin Farrell), enquanto ele, sem inspiração e com problemas de alcoolismo, tenta terminar um roteiro chamado “Sete Psicopatas”. O problema é que ele só conseguiu inventar um psicopata até o momento, e não sabe nem como a história começa, nem como acaba. Um amigo de Marty, Billy (Sam Rockwell), tenta lhe ajudar com ideias, mas o roteiro simplesmente não vai para frente. Até que Billy, que trabalha com um sujeito chamado Hans (Christopher Walken) roubando cachorros e os devolvendo aos donos pelo preço do resgate, decide roubar o cachorro de um mafioso que é totalmente apaixonado pelo animal. E está aí a explicação para o “e um shih tzu” do título brasileiro: é a raça do tal cachorro (não sei vocês, mas eu não fazia ideia que shih tzu fosse um cachorro; pensei que fosse um lance no estilo feng shui, mas divago).

Sete Psicopatas (deixemos de lado o cãozinho por um momento) é um filme muito engraçado. Tem o mesmo humor maravilhoso de Na Mira do Chefe, mas não tem o mesmo roteiro perfeitinho que aquele filme passado em Bruges tinha e, portanto, não é um filme tão bom. Aqui, em vários momentos há a impressão de que o diretor/roteirista Martin McDonagh sofre dos mesmos impasses de falta de criatividade que seu protagonista (vivido com divertida fragilidade por Colin Farrell). Pois, de fato, há muito de metalinguagem no filme, e algumas das melhores piadas do longa surgem desse artifício, mas o arco narrativo geral do roteiro não se sustenta muito bem, e isso é um problema que não pode ser visto como uma sacada metalinguística proposital e bem pensada.

Por um lado, há o drama de Marty em conseguir escrever seu roteiro. E por outro, há o drama de ele, Billy e Hans terem de lidar com um mafioso lunático (Woody Harrelson, perfeitamente maluco, como sempre, seu tipo de papel preferido). No meio disso, há as histórias de alguns dos tais sete psicopatas que só aparecem pontualmente e depois saem de cena. A linha que a trama quer seguir nunca fica claramente… clara. A sorte é que o elenco e os diálogos são tão cativantes, que todos esses problemas de estrutura e foco narrativos ficam em segundo plano. Em verdade, só a atuação energética de Sam Rockwell já valeria o filme todo, já que ele rouba todas as cenas em que aparece. Arrisco dizer que o problema maior de Sete Psicopatas é ter escolhido o protagonista errado. Por melhor que Colin Farrell esteja, o personagem de Sam Rockwell é muito mais interessante. Uma trama focada nele talvez rendesse um filme melhor e mais consistente.

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