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Maio 2012

01/06/2012

Maio me presenteou com uma boa volta ao hábito de assistir vários filmes em sequência. Meu PC ter estragado justamente na semana em que eu não teria aula foi o evento necessário para me fazer voltar a ver filmes com maior frequência. Foram 27 filmes no mês (12 no cinema), um número animador para retomar o ritmo. A nota média ficou em 3,4. Só lamento ter visto apenas 5 filmes no Fantaspoa, e nenhum deles bom. Por outro lado, consegui ver alguns clássicos que estavam há horas na fila. Segue a lista de maio:

05 – A Casa das Coelhinhas (The House Bunny, EUA, 2008) – Apesar dos esforços carismáticos de Anna Faris, o roteiro pouco inspirado e a direção preguiçosa destroem qualquer chance que o filme pudesse ter de se destacar de alguma forma. 2/5

07 – Anjos da Lei (21 Jump Street, EUA, 2012) – Além de Channing Tatum e Jonah Hill aparecem perfeitamente à vontade como jovens adultos aprendendo a amadurecer justamente por precisarem voltar a agir como adolescentes, o filme ainda se beneficia do bom roteiro que, embora sofra com momentos bem clichê, ganha pontos ao brincar com o politicamente correto, além de apresentar um curioso choque cultural entre a juventude oitentista e a vista hoje, e incluir uma divertida e surpreendente ponta no terceiro ato. 3/5

07 – Nervo Craniano Zero (Brasil, 2012) – A ideia central da trama é, em si, bem criativa, mas o roteiro não sabe desenvolvê-la, e o elenco surge incrivelmente amador, sabotando qualquer chance de o filme dar certo. 2/5

08 – O Invencível: Largo Winch (Largo Winch, França, 2008) – Inspirado no homônimo (e clássico) personagem das HQs francesas, Largo Winch não é “invencível” como sugere nosso título brasileiro, mas com certeza se sustenta como um dos melhores thrillers produzidos recentemente, graças ao roteiro intricado, repleto de reviravoltas e traições, e ao carisma do protagonista, interpretado com competência por Tomer Sisley. 4/5

09 – Beleza Adormecida (Sleeping Beauty, Austrália, 2011) – Essa suposta adaptação criativa de A Bela Adormecida, apesar de pontuais momentos de inspiração, não passa de uma promessa que acaba nunca sendo plenamente cumprida, já que todo o subtexto psicológico da história jamais é explorado devidamente. 2/5

09 – Conspiração Americana (The Conspirator, EUA, 2010) – Recuperando um evento histórico que acaba servindo de reflexo do que ocorre hoje na sociedade norte-americana, Robert Redford faz de Conspiração Americana um filme extremamente revelador sobre os aspectos políticos que regem os Estados Unidos. 4/5

10 – Piratas do Espaço (Space Truckers, EUA, 1996) – A primeira cena é interessante. A partir disso, a trama se mostra incrivelmente rasa e pouco desenvolvida, a direção oscila de modo tolo entre o drama e a comédia, e ainda não me decidi se o visual do filme é propositalmente estranho ou simplesmente muito ruim. 2/5

10 – Bonecas Macabras (Dolls, EUA, 1987) – Os bonequinhos são um pouco divertidinhos, mas… Nada, é isso mesmo. 2/5

15 – Pele Reconfortante (Comforting Skin, Canadá, 2011) – Além de mais longo do que o ideal, o fraco roteiro tira pouquíssimo proveito da excelente premissa, o que, somado à protagonista antipática e às suas mudanças bruscas de personalidade, faz de Pele Reconfortante um Cisne Negro wanna be que definitivamente… não be. 2/5

16 – A Centopeia Humana 2 (The Human Centipede II: Full Sequence, Holanda, 2011) – Assim como o primeiro, decepciona por prometer demais e cumprir de menos. Qualquer Jogos Mortais é mais angustiante e mais sangrento que A Centopeia Humana 2 (que, além de se conter na violência, ainda é rodado em preto-e-branco). Como a maior justificativa para assistir a um filme como esse é a curiosidade que a violência gráfica contida nele cativa, estamos diante de mais uma grande decepção. E por mais que o diretor/roteirista Tom Six tente extrair algum estudo de personagem do meio de toda a insanidade vista em cena, não se sai muito bem no final. 2/5

19 – O Corvo (The Raven, EUA, 2012) – Não é ruim. Mas é muito decepcionante, uma vez que a ideia do filme se mostra muito mais interessante que sua execução. No final, O Corvo acaba parecendo uma versão levemente mais sombria e menos inspirada do Sherlock Holmes de Guy Ritchie. 3/5

20 – Adeus às Armas (A Farewell to Arms, EUA, 1932) – Sei que é um clássico, mas nem sempre isso significa se tratar de um bom filme. É o caso aqui, pelo menos no meu ponto de vista. Adeus às Armas simplesmente não sobreviveu ao tempo. Narrativa burocrática e pouco inspirada, sem contar o moralismo ultrapassado da história. E antes de me acusarem de não pensar o filme em seu contexto, os anos 1930, lembro que mesmo naquela época (e antes) foram produzidos filmes muito melhores e mais ousados que esse: O Mágico de Oz, No Tempo das Diligências, O Triunfo da Vontade e O Vampiro me vem à mente. 2/5

20 – Aliens: O Resgate (Aliens, EUA, 1986) – Às vezes escuto tanto sobre alguns filmes que, depois de tê-los visto, mesmo consciente da excelência técnica dos mesmos, não me sinto tão deslumbrado quanto deveria. Não é o caso. Aliens conseguiu me surpreender ainda mais do que sua fama vinha prometendo. Baita filme, baita ficção-científica, baita suspense. Arrisco dizer, um dos melhores filmes da década de 80 que eu já vi. 5/5

21 – A Primeira Noite de um Homem (The Graduate, EUA, 1967) – Imagino a provocação que o roteiro deve ter causado na época. A trama não é das mais sofisticadas, mas o desenrolar ideológico se mantém forte por quase o filme todo, culminando num desfecho lindo que é ao mesmo tempo empolgante e melancólico. E se em alguns momentos a narrativa perde o ritmo, o mesmo é rapidamente resgatado pela belíssima trilha de Paul Simon, que estabelece com talento a atmosfera necessária ao filme, entre a serenidade e a tristeza. 3/5

22 – Adivinhe Quem Vem Para Jantar (Guess Who’s Coming to Dinner, EUA, 1967) – Que roteiro lindo, e que elenco fantástico. Um filme que consegue tratar de um assunto que ainda é injustificavelmente polêmico, e que faz isso com cautela, respeito, num drama intimista (e universal) que disseca uma das maiores falhas da humanidade, ao mesmo tempo em que eleva e saúda uma de suas maiores virtudes. 5/5

22 – Além do Azul (The Wild Blue Yonder, Alemanha, 2005) – Espécie de falso-documentário que, mesmo sendo falso, apresenta algumas curiosidades referentes à exploração espacial ao mesmo tempo em que nos brinda com belas imagens que ganham um toque de mistério contemplativo graças à onírica trilha sonora. Trata-se de um curioso estudo de ‘formato’, por assim dizer, mas que falha ao não delimitar seu objetivo. 3/5

22 – Cine Majestic (The Majestic, EUA, 2001) – Sempre me falaram muito mal de Cine Majestic, e agora eu definitivamente não sei por quê. Que filme lindo! Cheio de poesia e permeado por críticas sociais bem ponderadas, tudo emoldurado por um roteiro delicado e uma direção detalhista, pincelando emoção com a ajuda de uma fotografia e uma trilha sonora evocativas, sem contar a central e magistral performance de Jim Carrey. 5/5

23 – Quem Tem Medo de Virginia Woolf (Who’s Afraid of Virginia Woolf, EUA, 1966) – Assisti A Primeira Noite de um Homem pensando que era o primeiro filme de Mike Nichols. Logo depois me dei conta que Quem Tem Medo de Virginia Woolf tinha vindo antes. É incrível isso, essa atmosfera densa e essa mise en scène complexa em um filme de estreia. Sem falar na afinação irrepreensível do elenco. 5/5

24 – Ladrões de Bicicletas (Ladri di Biciclette, Itália, 1948) – Por um lado, o roteiro bem articulado lança severas críticas sociais em uma Itália abalada pela II Guerra Mundial, e, por outro, a direção humanista carrega o filme de sincero drama, retratando uma triste realidade na vida de personagens com os quais aprendemos a nos preocupar graças ao carismático elenco. 5/5

24 – A Vida é Bela (La Vita è Bella, Itália, 1997) – Enquanto, como ator, Roberto Benigni chega a cansar o público, se esforçando ao máximo para arrancar risadas do espectador mesmo quando estas não parecem necessárias, pelo menos como realizador ele se mantém competente, defendendo com sinceridade a importância de se proteger a inocência de uma criança até o fim, mesmo quando confrontada com o maior dos horrores. 4/5

25 – Blade Runner: O Caçador de Androides (Blade Runner, EUA, 1982) – Uma vez tentei assistir Blade Runner de madrugada, e acabei dormindo. Agora, mais de um ano depois, consigo ver tudo sem problemas. Mas, assim como 2001: Uma Odisseia no Espaço, taí uma ficção científica adorada por todos que simplesmente não me conquistou tanto assim. A atmosfera noir é interessante, e a direção de arte maravilhosa, mas o roteiro deixa de elaborar as questões que sucinta. 4/5

25 – Busca Frenética (Frantic, França, 1988) – Um dos filmes menos comentados de Roman Polanski é também um de seus melhores trabalhos. Busca Frenética tem Harrison Ford em atuação sensacional, roteiro inteligente e minimalista, e direção atenta aos menores detalhes. 5/5

25 – Homens de Preto 3 (Men in Black III, EUA, 2012) – Mesmo que a trama fosse fraca e que a direção de Barry Sonnenfeld estivesse pouco inspirada, ou que o filme não contasse com a melhor trilha sonora de Danny Elfman em anos, Homens de Preto 3 valeria a pena ver visto ainda que somente pela impecável atuação de Josh Brolin como a versão jovem de Tommy Lee Jones. 4/5

27 – Plano de Fuga (Get the Gringo, EUA, 2012) – Não só é mais um bom filme de ação com Mel Gibson, como é um filme com um roteiro criativo que, mesmo reciclando uma trama já vista incontáveis vezes, faz isso com competência, oferecendo um panorama curioso sobre o crime organizado mexicano, além de contar com um divertido anti-herói como protagonista. 4/5

29 – Zwart Water (Zwart Water, Holanda, 2010) – Incluído na programação do Fantaspoa do ano passado, esta tentativa de terror holandês fracassa em função do roteiro completamente desestruturado que despeja todas as informações relevantes da trama em menos de 1h de filme, obrigando a subsequente narrativa a se fazer burocrática e cansativa, guardando uma última e incoerente reviravolta para os minutos finais. 2/5

29 – Tudo Por Ela (Pour Elle, França, 2008) – Longa francês que originou a correta refilmagem hollywoodiana 72 Horas, Tudo Por Ela apresenta um protagonista desesperado em busca da liberdade da mulher presa injustamente – premissa que poderia soar forçada, mas que se mantém plausível graças à ótima e intensa atuação central de Vincent Lindon (mérito compartilhado por Russell Crowe no remake). 3/5

31 – Anatomia de um Crime (Anatomy of a Murder, EUA, 1959) – Com um elenco afinadíssimo e um roteiro repleto de batalhas verbais memoráveis, Anatomia de um Crime de fato disseca todas as nuances de um crime hipotético, apresenta todos os detalhes, e deixa ao espectador o trabalho de fazer o veredicto final. E eu ainda não tenho certeza se é culpado ou inocente. 5/5

2 comentários

  1. Assistiu muitos filmes! Anatomy of a Murder é o meu favorito.


  2. Meu favorito da tua lista é “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?”. Que elenco, que texto! Só podia ser do Mike Nichols mesmo…



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