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Fantaspoa 2012

11/04/2012

O Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre, nosso querido Fantaspoa, era estranho para mim até 2010. Acabei motivado a ir a algumas sessões daquela VI edição porque, depois de sair da minha aula de Filosofia da Arte, peguei um filme no Guion (foi A Jovem Rainha Vitória) e por ali eu encontrei a programação com todos os filmes do festival.

Eram muitos títulos estranhos, uns mais curiosos que os outros, e todos ilustrados com uma foto em preto-e-branco, papel jornal. As férias estavam recém começando, e eu toquei duas semanas seguidas no cinema, geralmente mais de um filme por dia. Apesar de eu ter visto muita coisa ruim, aquela empreitada valeu a pena.

Além do recorde massivo de muitas idas consecutivas ao cinema, aconteceu de eu pela primeira (e até agora única) vez assistir a um filme em pé. Eu e meu amigo e grande cinéfilo Gustavo encaramos os 90 minutos de A Centopeia Humana sem a opção de nos sentarmos – porque conforto é para fracos! A sessão estava estupidamente lotada. Até a escada lateral da sala estava abarrotada de gente no chão. Eu, o Gustavo e outro sujeito vimos o filme todo de pé, lá no fundo.

Mais importante que isso, porém, foi a chance de conhecer vários filmes diferentes, daquele tipo que jamais chegaria aos cinemas comerciais ou mesmo à televisão. A maioria desses filmes não me agradou muito, é verdade, mas valeu pela experiência, sem contar que foi somente ali que eu descobri Ink, uma produção independente dos EUA que imediatamente se tornou um dos meus filmes preferidos.

Em 2011, quando eu inocentemente pensava já estar familiarizado com o Fantaspoa, o festival aparece com um apoio financeiro muito maior, e enriquece sua organização de modo admirável. Não só criaram várias mostras paralelas com temáticas interessantes (destaque para os documentários fantásticos), como apareceram com uma seleção de filmes muito melhor que a da edição anterior.

Mais uma vez eu tentava cobrir o máximo de sessões possível, e só não me superei em relação a 2010 porque o frio e a gripe estavam contra mim.

Então, perto do encerramento do festival, recebo um e-mail dos organizadores me convidando para a cabine de imprensa do filme que seria exibido na última sessão do último dia do Fantaspoa 2011. Infelizmente, eu estava em Gramado, e respondi o e-mail avisando que não poderia comparecer.

Poucos dias atrás, no entanto, recebo o convite para o lançamento exclusivo para imprensa da VIII edição do Fantaspoa, que ocorreu hoje (10/04) pela manhã no CineBancários. Apesar de eu ter aula nas terças de manhã (e à tarde, e à noite), resolvi abrir mão da conversa sobre surrealismo e Luís Buñuel, e fui à première do Fantaspoa 2012.

Nós, críticos convidados, só descobrimos na hora qual filme assistiríamos: Kid-Thing, um drama com pitadas indie que se passa no interior dos EUA. A lógica por trás da exibição desse filme foi explicada antes da sessão e confirmada durante a mesma. Dessa vez, o Fantaspoa tem a intenção de, ao deixar um pouco de lado o foco no terror, alcançar um público ainda mais diferenciado. As edições anteriores já ofereciam ficções científicas, fantasias e mesmo alguns suspenses que nada tinham de sobrenatural, mas a verdade é que todos esses longas, em algum nível, não escapavam da categoria “cinema fantástico”. Contudo, agora, a VIII edição do maior festival do gênero da América latina pretende oferecer uma variedade de películas bem mais abrangente. Essa nova parcela da ampla gama de filmes celebrada pelo Fantaspoa se constitui principalmente de produções com enfoque às vezes puramente dramático, mas que, como Kid-Thing, se destacam por explorar temáticas pouco recorrentes no cinema contemporâneo.

Esse ano o Fantaspoa se antecipa em dois meses, e acontece de 4 a 20 de maio, e não mais em julho como em anos anteriores. Não fecha mais com as minhas férias, infelizmente, mas eu espero profundamente que essa mudança na data reflita de modo positivo no número de público do festival. Espero muitas sessões lotadas!

Particularmente, o Fantaspoa representa muito mais do que um competente festival de cinema: representa minha evolução e meu amadurecimento como cinéfilo e crítico.

Agradeço profundamente a João Pedro Fleck e a Nicolas Tonsho, criadores e organizadores do Fantaspoa, pelo reconhecimento do meu trabalho como crítico de cinema independente. Buscando apenas incentivar mais pessoas a irem ao cinema, passei os últimos dois anos divulgando o comentando o Fantaspoa por iniciativa própria. Hoje, sou convidado para as sessões exclusivas para imprensa. Obrigado.

3 comentários

  1. Nunca participei do Fantaspoa! Depois do teu texto, fiquei com vontade =)


  2. só louco pra ver este tipo de coisa.
    já não basta a real crueldade da vida, em vez das pessoas ver coisas alegres e que nos fação esquecer as tragedias da vida, elas procuram mais tragedias vendo a agunia cinematografica, que nos faz lembrar a dor e a tristeza.


    • Taí um exemplo de comentário que eu só aceito para deixar claro que sou um cara super democrático.



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