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Introduzindo: música

30/11/2011

Realmente não devo ter comentado sobre música aqui no Fakeline. Certamente falei sobre trilhas sonoras, mas nunca parei para comentar especificamente sobre música. Acho que chegou o dia.

Mas antes, um desabafo.

Em 2005 eu estava no meu auge como fã de música, pode assim dizer. Pelo menos quanto ao heavy metal. Eu era metaleiro no colégio – 2005 era 8ª série pra mim. A moda era ser emo (2005 foi a ascensão “violenta” dos emos), mas os pagodeiros ainda predominavam, embora, é verdade, estivessem perdendo espaço para os funkeiros. Se formos ver hoje, os emos cederam lugar aos coloridos (Restart e Cia), que são basicamente emos felizes, e o pagode foi ultrapassado por aquilo que chamam de sertanojo.. ops, sertanejo “universitário”, que se resume basicamente a uma aceleração do ritmo simplista do sertanejo tradicional em meio a vocais mais joviais e letras que por vezes flertam com algumas temáticas do funk.

São modinhas passageiras essas. Elas se misturam, criam uns artistas que são exaltados aos berros por um tempo apenas para sumirem depois. E somente aqueles que realmente são fãs e entendidos nessas áreas da música (emo, pagode, funk, sertanejo…) poderiam citar nomes de gente que realmente marcou o estilo. Não sou um destes fãs. Acho o emo e o emo colorido patéticos; o pagode e o funk, revoltantes (tanto pela musicalidade pobre e repetitiva, quando pelo conteúdo desagradável das letras); e os sertanejos tradicional e universitário eu considero absolutamente sem graça, além de irritantes na maioria das vezes (coloco lado a lado com axé e forró – e teria certa dificuldade inclusive de diferenciar esses quatro estilos).

Fui metaleiro e até um tanto preconceituoso na época (mais por ser um adolescente teimoso do que por gostar de metal) quanto à maioria dos outros estilos. Eu embestava que funk e pagode não eram música. Agora, estudando estética e teoria da comunicação, não tenho como negar ao funk e ao pagode sua qualidade de música – mas ainda posso dizer que são uma merda. Hoje, o único estilo “musical” que eu teimaria antes de chamar de música, seria o rap (obviamente junto com o hip hop), mas isso é tema para outra discussão.

Então, eu fui metaleiro. Só que eu ainda gosto de metal. Muito. Pra caralho. Não sou mais entusiasta do gênero, não espero lançamentos de álbuns e tal. Deixei isso pra trás, mas continuo ouvindo bandas que marcaram fortemente minha formação como admirador de música. Bandas como Iron Maiden, Metallica, Nightwish e Stratovarios ampliaram demais meus horizontes musicais. O que muita gente não consegue entender, coisa que me deixa puto, é que o heavy metal é muito, mas muito, mas muito esmagadoramente maior do que o estereótipo aponta.

Ao longo de alguns textos futuros, tentarei desmistificar o estigma do heavy metal e, com sorte, introduzir esse riquíssimo gênero a nem que seja UMA só pessoa.

Sou fã de metal, mas sou principalmente um fã de música, no geral. Meus gostos se estendem do pop ao black metal, passando pelo folk, pelo blues, pela música clássica, e até pela música eletrônica. Eu gosto de música e não de um “tipo” de música. Meu ponto com isso é que eu posso descer o pau até esmigalhar totalmente algum estilo de música, mas ainda assim continuarei reconhecendo aquilo como música e, portanto, produto cultural. Posso falar mal pra cacete de algum artista e de tudo que ele produz, mas tentarei manter o respeito com aqueles que apreciam tal arte. É o que espero em troca, sabe? Mas dificilmente acontece – é esse o porquê de eu me irritar tanto nos grupos de cinéfilos na Internet (sempre tem um pedaço enorme do pessoal que não sabe respeitar os outros). Porém, também tem o outro lado da coisa, e o que pretendo deixar claro aqui. Quando falo mal da obra de um cineasta ou aponto os erros na atuação de algum ator, estou me referindo ao trabalho artístico deles, e não a sua vida pessoal. Se me perguntarem se eu gosto de pagode, tentarei dizer “Não é meu tipo de som”, mas posso muito deixar escapar um “Não suporto aquela merda”, e a pessoa pode ficar ofendida, embora não devesse. Se ela pergunta uma coisa assim, deve imaginar que uma resposta do tipo dessa que eu usei de exemplo pode aparecer. E então eu vou explicar por que eu penso aquilo do tipo de música preferido dela? Vou mesmo – se ela perguntar. “Por que tu acha tão ruim assim??”. Aqui no texto eu já expliquei: musicalidade repetitiva e vocais desafinados e irritantes proferindo letras desagradáveis. Se a pessoa continuar ofendida depois dessa explicação, ela não deveria ter feito a pergunta em primeiro lugar. Depois, eu não estou atacando ela, pessoa. Estou atacando, no máximo, ela como agente estésica, mas na real estou apenas apontando os problemas técnicos de um gênero musical – problemas que me desagradam. Assim como quando eu escrevo uma crítica, né. Detestei Nosso Lar. Achei o pior filme de 2010, uma bosta completa. E falo assim mesmo. Uma bosta. Se a pessoa quiser que eu explique, eu explico, só que, depois disso, a pessoa deve obrigatoriamente respeitar minha opinião. Claro, se tu gosta do filme, beleza, mas EU não gosto. Eu não gostei, e disse por que eu não gostei. Também detesto Crepúsculo (todos). E posso dizer por quê. Então, depois que eu digo por que não gosto de alguma coisa, quero ser respeitado. Estou disposto a ouvir a opinião contrária, mas afirmações do tipo “Eles são tão bonitinhos juntos!”, NÃO SÃO argumentos. São apenas opiniões e, como quais, sujeitas ao esculacho intelectual.

(desculpem, a última frase do parágrafo soou exageradamente pedante, mas não deixa de ser real).

Por isso tudo, creio estar em uma posição justa para expressar minhas opiniões sobre arte em geral – ainda que eu tenha feito isso com pouquíssima frequência. O que eu já vinha fazendo com cinema, tentarei fazer com a música, buscando principalmente diluir a imagem poluída que o heavy metal tem por aí.

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