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Filmes e diretores com cara de Oscar 2012

30/09/2011

Com a corrida do Oscar oficialmente iniciada, conforme nos mostra o quadro de comparativos de previsões do Gold Derby, creio já ser possível lançar as minhas previsões fantasiosas a respeito das principais categorias da premiação da Academia. No entanto, vale dizer que ser um crítico no Brasil tem suas peculiaridades. Se os próprios críticos dos EUA apostam em filmes que eles mesmos não viram ainda (pois não estrearam nem ), nós, aqui, ficamos no escuro quanto a praticamente todos os candidatos ao Oscar, já que esses filmes são exportados para cá (e para o resto do mundo) somente após receberem suas indicações. Ou seja, não estar nos EUA implica em observar a corrida do Oscar com olhos distantes. De modo geral, temos que nos valer das impressões dos críticos de lá para criarmos nossa própria ideia das possibilidades de indicação da Academia. Por outro lado, estar longe, ter justamente um olhar distante é um diferencial interessante (e até positivo), visto que não nos impressionamos pelas jogadas de marketing das distribuidoras a fim de alavancar indicações para seus próprios filmes. Claro que existe a possibilidade de baixar esses filmes que já estão em competição nos pequenos festivais de lá, mas essa é uma prática que não considero digna (o porquê de eu pensar assim não entra em questão agora; downloads de filmes são tópico para outro texto). Até acho mais divertido apostar no Oscar sem ter visto a maioria dos candidatos. Afinal, acertando muito, é possível se gabar muito mais, dizendo: “E eu nem vi metade desses filmes aí!”; e errando muito, também temos uma desculpa, podendo dizer: “Mas tem que considerar que eu nem vi metade desses filmes aí”. Logo, é uma posição estratégica muito compensadora. Mas deixa de papo-furado, vamos às previsões. Vou comentar um pouco sobre todos os filmes que têm alguma chance, e depois fazer minha lista daqueles que imagino serem os favoritos.

MELHOR FILME:

The Artist – Filme que mesmo antes de todo falatório crítico norte-americano eu já havia indicado como um dos longas interessantes a estrearem em 2011. A história se passa na Hollywood do final dos anos 1920, é rodado em preto-e-branco, tem um elenco de primeira, um protagonista francês, e vem recebendo cada vez mais críticas positivas. Além de ser uma ode ao cinema clássico hollywoodiano, parece fazer isso com competência. O curioso é que o filme é uma produção francesa, e estava cotado para representar o país na disputa pela indicação a Melhor Filme em Língua Não-Inglesa. A comissão francesa responsável pela escolha, no entanto, optou por La guerre est déclarée. Será irônico se The Artist for indicado a Melhor Filme, portanto.

A Árvore da Vida (The Tree Of Life) – Após ter visto o filme, preciso reformular o que havia dito antes sobre o mesmo. A Árvore da Vida definitivamente não é o candidato mais óbvio a Melhor Filme. A narrativa adotada por Terrence Malick, embora funcional em sua proposta, não é nem de londe do tipo que pode agradar aos votantes da Academia. O filme é muito onírico e metafísico para o Oscar. Sua indicação aqui pode até ser surpreendente.

Albert Nobbs – Menos pelo filme em si, e mais pela atenção que a atuação de Glenn Close está chamando (ela também assina o roteiro), Albert Nobbs pode figurar entre os dez indicados. Mas é improvável.

Carnage – Ano passado o excelente O Escritor Fantasma foi totalmente ignorado pela Academia. Agora, talvez, Polanski possa ser relembrado com a adaptação da peça de Yasmina Reza. O filme tem uma abordagem intimista e um elenco forte, mas, por ser centrado em apenas quatro personagens, pode ser que seja deixado de lado na categoria principal.

Cavalo de Guerra (War Horse) – Drama épico de guerra de Steven Spielberg. Muito difícil de não ser indicado.

Contágio (Contagion) – Steven Soderbergh anunciou sua suposta “aposentadoria” no começo de 2011. Então, apesar de ainda ter alguns projetos em andamento, quem sabe a Academia decida se despedir do diretor ganhandor do Oscar por Traffic com um última indicação a Melhor Filme. Contágio pode até não ser o tipo de filme mais fadado a ser indicado ao Oscar, mas nunca se sabe (ainda mais com tantas críticas positivas).

A Dangerous Method – Ainda torço loucamente para que David Cronenberg seja finalmente lembrado pela Academia. Dependendo da temática de A Dangerous Method, isso parece ser possível. Basta esperar.

The Descendants – No último post sobre o assunto, fui deveras precipitado ao apontar semelhanças entre as tramas de The Descendants e A Árvore da Vida. “Um pai e dois filhos”, seria a semelhança máxima. Na verdade, os dois filmes são drasticamente diferentes, e o drama de Alexander Payne tem muito mais chances de indicação do que o projeto nebuloso de Terrence Malick.

Drive – O filme de ação que deu a Nicolas Winding Refn o prêmio de Melhor Diretor em Cannes, tem Ryan Gosling à frente como protagonista, e vem alucinando críticos mundo afora. A crítica brasileira radicada em Los Angeles, Ana Maria Bahiana, chegou a tuitar emocionada no mês passado: “Drive. DO. CA. CE. TE”.

O Espião Que Sabia Demais – O primeiro projeto hollywoodiano do diretor sueco que foi revelado dois anos atrás com o ótimo Deixa Ela Entrar (falo de Tomas Alfredson) conta com um elenco principal bem calibrado (Colin Firth, Gary Oldman, John Hurt, Mark Strong, Tom Hardy, Tody Jones), além de se tratar de uma nova adaptação do clássico da literatura de espionagem escrito por John le Carré, mestre do gênero. E vale lembrar que a última adaptação de um livro de Le Carré, O Jardineiro Fiel, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles, foi indicado a quatro categorias.

Extremely Loud and Incredibly Close – Independendo do que se trata esse filme, é dirigido pelo rabudo Stephen Daldry, e isso basta para ser favorito. Daldry dirigiu apenas três filmes até agora, e foi indicado a Melhor Diretor por todos, sendo que os dois últimos, As Horas e O Leitor, também foram indicados à categoria máxima. Seguindo a lógica, não será diferente esse ano – ainda mais com o filme sendo estrelado por Tom Hanks.

Millennium: Os Homens Que Não Amavam as Mulheres – Depois de anos ignorado, David Fincher finalmente ascendeu na Academia dirigidondo O Curioso Caso de Benjamin Button. Foi indicado de novo ano passado com A Rede Social, quando deveria ter incluvise ganhado e, agora, (re)adaptando o sucesso literário de Stieg Larsson, pode ser que figure entre os dez mais no Oscar mais uma vez. Porém, em se tratando da natureza violenta do projeto, isso pode não acontecer. Só seria injusto com o excelente longa original sueco se isso acontecesse.

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 – Se tem um blockbuster com chances de ser indicador Melhor Filme nesse ano, é o último capítulo da saga adaptada dos livros de J. K. Rowling com seus 96% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Hugo – É verdade que eu havia dito que, por ser ignorado no ano passado com Ilha do Medo, Scorsese seria agora recompensado com uma indicação deHugo a Melhor Filme, mas não tenho mais tanta certeza. Pela natureza infanto-juvenil (e fantasiosa) do projeto, Hugo pode só encontrar indicações a categorias técnicas.

J. Edgar – A história do primeiro diretor do FBI é certamente bastante atrativa para os votantes da Academia, ainda mais quando contada por Clint Eastwood.  Já havia comentado isso antes.

Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris) – Um dos candidatos mais garantidos. Woody Allen de volta à forma em um filme belo, simpático e nostálgico. Tudo que o Oscar adora.

Moneyball – Um drama de superação sobre baseball dirigido por Bennett Miller, estrelado por Brad Pitt, e com altíssimos percentuais de críticas positivas. Estreiou nessa semana lá e já é tido como um dos favoritos.

Tudo Pelo Poder (The Ides Of March) – Apesar de suas críticas políticas virem sendo consideradas batidas, o drama de George Clooney ainda tem seu potencial, principalmente considerando o elenco fenomenal.

Vidas Cruzadas (The Help) – Filme que só sei ser considerado favorito graças ao Awards Daily. Pelo material de divulgação, Vidas Cruzadas parece não ser nada demais – bobinho demais, inclusive -, mas publicidade é sempre duvidosa, então vou confiar na intuição dos críticos que já viram o filme.

We Bought The Zoo – A volta de Cameron Crowe pode ser comemorada com uma indicação a Melhor Filme. Não é muito difícil, não.

We Need to Talk About Kevin – A adaptação do livro homônimo escrito por Lionel Shriver vem sendo considerada soturna demais. Mas, vejamos, Ingmar Bergman, por exemplo, era um cara soturno bastante celebrado pela Academia. Então, a conversa sobre o Kevin tem suas chances.

Young Adult – Novo filme de Jason Reitman, cujos últimos dois, Juno Amor Sem Escalas, ambos foram indicados.

Esses 22 filmes são aqueles que eu acredito terem mais chances de indicação a Melhor Filme a essa altura do campeonato. Estamos ainda em setembro, e muita coisa pode (e vai) mudar até janeiro (por exemplo, Super 8, mencionado anteriormente como candidato possível, agora já duvido que seja indicado). Os dez mais do momento, então:

  • The Artist
  • Cavalo de Guerra
  • A Dangerous Method
  • The Descendants
  • Extremely Loud and Incredibly Close
  • Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2
  • J. Edgar
  • Meia-Noite em Paris
  • Moneyball
  • Tudo Pelo Poder
MELHOR DIRETOR:
Os indicados a Melhor Diretor representam, em tese, os filmes que em outros tempos seriam os cinco indicados a Melhor Filme. Só não se pode dizer isso com certeza porque mesmo quando o Oscar indicava cinco filmes à categoria máxima, nem sempre os cinco diretores indicados condiziam exatamente com os cinco filmes. Geralmente um filme era indicado a Melhor Diretor sem receber indicação a Melhor Filme. Por isso, os diretores que receberem a indicação nesse ano, que pode ter de 5 a 10 indicados a Melhor Filme, não necessariamente representarão aqueles cinco filmes favoritos ao grande prêmio da noite.
Sendo assim, partindo dos filmes listados acima, indicarei os diretores que mais possivelmente terão seus nomes lidos no anúncio dos indicados em janeiro, e o porquê dessas escolhas.
  • Alexander Payne, por The Descendants – O filme é o grande favorito, e tem George Clooney como protagonista, um ponto bastante positivo. Sendo assim, mesmo sem considerar seu nome de peso, Alexander Payne, que não faz nada desde Sideways: Entre Umas e Outras, de 2004, provavelmente será indicado.
  • Bennett Miller, por Moneyball – O cara brotou do nada para dirigir Capote e ser indicado pelo mesmo em 2005, some por seis anos, e volta com um filme que, ao lado de The Descendants, desponta como grande favorito. Qual o segredo dele?
  • Clint Eastwood, por J. Edgar – Eastwood já ganhou quatro estatuetas (duas como direitor e duas como produtor), é queridinho da Academia, e sabe contar uma história como poucos. Basta ter uma história decente em mãos. E a biografia do primeiro diretor do FBI roteirizada pelo oscarizado Dustin Lance Black parece se aplicar na categoria.
  • David Cronenberg, por A Dangerous Method – O nome de David Cronenberg é peso negativo quando se trata de Oscar. Mas ele nunca teve tanta chance quanto agora. Desde 2005, vem fazendo filmes mais sóbrios e tematicamente agradáveis à Academia, então a história da gênese da psicanálise pode finalmente garantir a Cronenberg uma mais do que merecida (e há muito esperada) indicação.
  • George Clooney, por Tudo Pelo Poder – Clooney é mais do que amado pela Academia, e seu filme, bem como Boa Noite e Boa Sorte, tem aspirações políticas relevantes, o que é (quase) sempre um ponto positivo.
  • Michel Hazanavicius, por The Artist – O cinema francês é bastante adorado pela Academia. A França é o país que mais teve filmes indicados a Melhor Filme em Língua Não-Inglesa (aka “Filme Extrangeiro”), com 36 indicações, e empata com a Itália em número de vitórias: 12. Basta somar a isso a temática de The Artist sendo a própria Hollywood clássica e o fato do filme ser rodado em preto-e-branco (um charme que os votantes sempre consideram positivamente), e Michel Hazanavicius muito bem ser indicado a Melhor Diretor.
  • Stephen Daldry, por Extremely Loud and Incredibly Close – Daldry só dirigiu três filmes até agora, e foi indicado ao Oscar por todos eles. Não duvido nada que aconteça de novo.
  • Steven Spielberg, por Cavalo de Guerra – O filme vem sendo guardado para estrear no último fim de semana do ano, bem antes do anúncio dos indicados. Provavelmente a força dramática de Cavalo de Guerra fará Spielberg ir galopando para o banco dos indicados.
  • Terrence Malick, por A Árvore da Vida – No momento, Terrence Malick tem mais chance de ser indicado a Melhor Diretor do que seu filme ser lembrado entre os melhores do ano. A Árvore da Vida é onírico demais para os velhinhos que marcam as cédulas de votação, e Malick tem um estigma de Kubrick em cima dele. É uma ou outra. Muito difícil o filme e o diretor serem indicados. Então, mais provável uma indicação aqui (Diretor) do que lá (Filme).
Esses 9 nomes são aqueles que eu acredito terem mais chances que os demais. Drive até poderia dar uma chance a Nicolas Winding Refn, ainda mais depois de ter ganhado em Cannes (ou seria isso um problema?), mas Drive é ação, e a Academia não tem muito apreço por filmes desse naipe – se nem A Origem foi capaz de dar a Nolan uma indicação, Drive talvez leve Refn para o mesmo caminho (se bem que o fato do cara ser dinamarquês pode contar positivamente). Basta lembrar que o alemão Wolfgang Petersen conseguiu uma indicação por Das Boot, em 1983. Já David Fincher, por melhor que seja sua versão de Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, enfrenta o mesmo problema que o afastava do Oscar antes: a temática violenta. Os olhos da Academia só bateram em Fincher quando ele optou por projetos mais leves – O Curioso Caso de Benjamin Button e A Rede Social são seus filmes mais leves, de fato -, e a refilmagem do sucesse sueco parece que não se enquadra nessa descrição, dificultando, portanto, uma indicação. E Woody Allen, mesmo com Meia-Noite em Paris encantando os críticos old school como se não houvesse amanhã, convenhamos, o cara já teve indicações que chega – são 21 no total até agora. Os outros competidores (Cameron Crowe, por We Bought The Zoo;  David Yates, por Harry Potter 8; Lynne Ramsay, por We Need To Talk About Kevin; Martin Scorsese, por Hugo; Rodrigo Garcia, por Albert Nobbs; Roman Polanski, por Carnage; Steven Soderbergh, por Contágio; Tate Taylo, por Vidas Cruzadas; Tomas Alfredson, por O Espião Que Sabia Demais) correm por fora, com bem menos chances, no momento.
E o corte final:
  • Alexander Payne, por The Descendants;
  • Bennett Miller, por Moneyball;
  • Clint Eastwood, por J. Edgar;
  • Michel Hazanavicius, por The Artist;
  • Steven Spielberg, por Cavalo de Guerra.

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