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Fantaspoa 2011 #4 – Metadona: Uma Maneira Americana de Traficar

11/07/2011

Metadona: Uma Maneira Americana de Traficar (Methadone: An American Way Of Dealing, EUA, 1974), documentário, 77 minutos, +/- 10 pessoas na sala (com o Gustavo Spolidoro!)

Realizado em duas partes durante a década de 1970, Metadona: Uma Maneira Americana de Traficar fala sobre o problema que a droga “medicinal” que dá título ao documentário causou nos EUA quando foi utilizada como potencial remédio para acabar com o vício de heroína. Decididos a mostrar a falácia que é o tratamento, os cinegrafistas Jim Klein e Julia Reichert focam seu trabalho em uma das clínicas de reabilitação por metadona mais conceituadas do país, e em um centro comunitário que confronta o vício com técnicas voltadas para arte e cooperação.

Rodado em Dayton, Ohio, o documentário emprega uma fotografia de um preto-e-branco precário justamente para enfatizar a miséria que é a vida daquelas pessoas assoladas pelo vício. Dividindo a atenção para os citados focos de tratamento para drogados e entrevistando desde o usuário mais ativo de heroína até um dos médicos envolvidos no planejamento do programa anti-vício, Klein e Reichert conseguem facilmente expor a fragilidade do tratamento por metadona, sem precisar apelar para imagens chocantes. Apenas com os testemunhos dos afetados pelo vício, o documentário passa perfeitamente a mensagem que pretende seu subtítulo “Uma Maneira Americana de Traficar”.

Se por um lado tanto os medicados com metadona quanto os funcionários das clínicas que lhes fornecem a droga reclamam dos resultados do tratamento, apontando problemas devido ao consumo frequênte da substância, efeitos colaterais tais como depressão e náuseas, por outro lado os frequentadores do centro de terapia comunitária RAP não cansam em falar bem de seu programa diferenciado. Os letreiros iniciais de Metadona podem até alertarem que o documentário falará especificamente de dois tratamentos distintos, e que qualquer conclusão deveria ser tirada somente quanto aos dois exemplos, e não como um consenso sobre qualquer outro programa que seguisse a mesma linha de tratamento, mas fica mais do que claro para o espectador que o tratamento com metadona não funciona, ao passo que tentativas mais ortodoxas de lidar com o vício como o RAP tendem a oferecer melhores resultados, além de principalmente um programa mais confortável. Uma das maiores queixas quanto à medicação com metadona é que a própria metadona é viciante, e que a rotina do medicado com o produto é extremamente sacrificante e tediosa. Neste aspecto, os frequentadores do RAP apresentam uma vida muito mais feliz e proveitosa, tanto é que sair do programa não parecia uma escolha. As pessoas queriam continuar lá, se ajudando como uma família, do que sair e ter que se virarem sozinhas na rua.

Finalizado em 1974, Metadona foi complementado em 1978 quando finalmente pode ir ao ar na televisão. Quatro anos depois, a maior meta dos realizadores do documentário era mostrar como estaria a vida de alguns dos entrevistados no filme rodado anos antes.

Fotografados agora a cores, os depoimentos dos frequentadores da clínica de reabilitação declaravam que ter parado com a metadona tinha sido imperativa para uma melhora na sua qualidade de vida, ao passo que os ex-integrantes do RAP mostravam estabilidade monetária e emocional, ainda que revelassem certa saudade da atmosfera receptiva que havia no RAP. O testemunho do “garoto” Charlie, aqui, chega a ser decisivo, pois comprova objetivamente como um sujeito psicologicamente instável devido a anos de vício e de maus-tratos consegue se recompor na vida não com um tratamento governamental farmacêutico duvidoso, mas através de cooperação solidária em um centro de terapia comunitário sem envolvimento com o Governo.

Porém, mais do que simplesmente provar a fraude da metadona como remédio, Klein e Reichert ainda deixam aberta a possibilidade de todo o programa ter sido uma tentativa conspiratória e altamente anti-ética do Governo dos EUA em tentar manter a população pobre apática e calma, visando assim diminuir a taxa de criminalidade nos guetos de baixa renda. Considerando o caráter presunçoso e arrogante que o norte-americano construiu para si ao longo das décadas realizando exatamente esse tipo de coisa, não é exagero supor que a acusação tenha fortes fundos de verdade.

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One comment

  1. obrigado, nao conhecia este documentário.



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