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Fantaspoa 2011 #2 – Impacto

07/07/2011

Impacto (Bay Rong, Viatnã, 2009), ação, +/- 10 pessoas na sala

Abrindo com um monólogo sobre a ideia de a vida ser pouco diferente de um jogo de tabuleiro no qual as pessoas são peças a serem manipuladas, Impacto (Bay Rong, Viatnã, 2009) logo se revela um excelente filme de ação com pinceladas filosóficas que marcam a identidade própria da produção. Um grupo de mercenários é contratado por um chefão da máfia local para roubar um laptop que contém dados relevantes sobre o governo vietnamita. A líder do grupo, Trinh (Thanh Van Ngo), é uma mulher jovem, porém atormentada, e por isso severa, cujo passado é revelado aos poucos com o passar do filme, através de flashbacks aparentemente deslocados, mas que aparecem nos momentos adequados e ajudam a criar uma aura de tragédia ao filme. Trinh reúne o grupo para realizar essa última tarefa para o mafioso, que prometeu finalmente libertar sua filha.

Apesar de contar com uma premissa pouco original, o roteiro de Johnny Nguyen (que também interpreta o protagonista, Quan) é criativo o suficiente para desenvolver a trama de modo interessante, fazendo uso de reviravoltas sempre críveis que direcionam a história para um final satisfatório, com toques shakespearianos. Os personagens principais fortes e bem definidos garantem verossimilhança às situações dramáticas, e o elenco surge equilibrado. Aí cabe apontar que, ao contrário do que ocorria em Gamers, aqui a eventual “mudança de caráter” de determinado personagem não aparece forçada, uma vez que o passado e as atitudes impulsivas do sujeito justificavam sua não tão surpreendente traição.

Talvez o único tropeço do roteiro seja o envolvimento de Trinh e Quan, pois é justamente em uma das cenas que tentam consolidar o romance de ambos que o longa momentaneamente perde sua ritmo acelerado e empolgando – sem contar o breve e dispensável (clichê) desentendimento entre os dois mais para o final, mas que felizmente é resolvido de modo econômico e até belo, evocando mais uma vez a força filosófica que move os protagonistas.

Só que, apesar do roteiro interessante e do elenco bem afinado, o que realmente glorifica Impacto são suas cenas de ação. Demonstrando pleno domínio do que tem em mãos, o diretor Le Thanh Son consegue criar várias sequências de ação memoráveis, que se superam à medida que o filme passa. Tanto os tiroteios, quanto as perseguições (de carro, moto, ou a pé), e principalmente as lutas corporais representam momentos de adrenalina pura, com coreografias criativas que apenas se repetem nos golpes particulares de cada lutador, assim consolidando a identidade de cada um deles, tornando fácil sua diferenciação na hora dos duelos. Além disso, Thanh Son foge completamente da linha mais comum dos filmes ação atuais, e fotografa as cenas em longos planos abertos, dando ao espectador todo o tempo para apreciar a complexa encenação das artes marciais. A fotografia seca de Dominic Pereira ainda reforça o realismo empregado pelo diretor, e as cores cruas (com quase todas as cenas rodadas à noite) ajudam a transmitir a tristeza daqueles personagens.

Contando ainda com referências a Tarantino (Cães de Aluguel, principalmente), Impacto surpreende, emociona, empolga, dá vontade de “quero mais!”, e certamente é um dos melhores longas de ação dos últimos tempos.

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