h1

Fantaspoa 2011 #1 – Cropsey

06/07/2011

Fantaspoa #1 – 5/7, terça-feira

Cropsey (Cropsey, EUA, 2009), documentário, 85 minutos, 8 pessoas na sala

Dirigido por Barbara Brancaccio e Joshua Zemancon, Cropsey é um intrigante documentário que segue a investigação da “verdade por trás da lenda” da figura folclórica de Staten Island (Nova York) que dá nome ao filme. Durante os anos 1980, as crianças de Staten Island eram avisadas para não andarem sozinhas à noite perto do abandonado Instituto Willowbrook, onde antigamente operava um hospital para os doentes mentais, sob o perigo de serem capturadas por Cropsey. As descrições de quem ou o quê era Cropsey variavam tanto que logo foram criando uma imagem de terror no folclore local que não demorou a tomar ares de lenda urbana. Cropsey era, na opinião geral, um antigo paciente do Instituto que continuou a habitar nos prédios abandonados e que seqüestrava crianças para as torturar e matar. Com o tempo, a figura mítica de Cropsey acabou se tornando uma variante do bicho papão, pois servia para os mesmos propósitos de assustas as crianças e as manter fora de perigo. Isso até que em 1987 a pequena Jennifer, de 13 anos, realmente é seqüestrada e a “lenda” de Cropsey se revela verdadeira.

Porém, passados os primeiros 30 minutos de filme, em Barbara e Joshua tiveram o cuidado de mostrar um apanhado geral da história de Staten Island, para melhor contextualizar o espectador, o documentário toma outro enfoque. Deixa de evocar as histórias sobre Cropsey, e dá mais atenção à investigação policial que resultou na prisão de André Rand. A partir daí, Barbara e Joshua revelam todos os detalhes da investigação, oferecendo os dois lados da situação, com depoimentos tanto daqueles que acreditavam na culpa de Rand (a maioria), quanto dos que tinham suas (justas) dúvidas. E nesse sentido, Cropsey lembra muito o excelente Paradise Lost (Paradise Lost: The Child Murderes in Robin Hood Hills, EUA, 1996). Porém, ao contrário da produção da HBO, que apesar de neutra deixava bastante claro o óbvio da situação, Cropsey faz a esperta escolha de deixar a resolução do mistério em aberto.

Voltando à temática do folclore introduzida do começo do filme, o terço final do documentário se constitui em parte dos testemunhos de alguns dos entrevistados que não hesitam em demonstrar sua certeza na relação de Rand com o satanismo – outra semelhança com Paradise Lost, aliás. A figura repulsiva do ex-funcionário do Instituto Willowbrook parece ser mais do que suficiente para condená-lo. O medo fala mais alto. Como prontamente alegam os promotores do caso, não há nenhuma prova concreta de que André Rand seja o culpado pelas crianças raptadas nos 1980. No entanto, apenas situações circunstanciais já serviram para colocá-lo na cadeia ainda em 1987, quando foi julgado e condenado pelo seqüestro de Jennifer Schweiger.

E com a investigação de 1987, cerca de cinco casos arquivados foram reabertos. Rand foi rapidamente ligado a todos, e levado a julgamento por pelo menos um desses. Mas, novamente, Rand só tinha relação circunstancial com os desaparecimentos, nada concreto. Cropsey foi parcialmente rodado justamente durante esse segundo julgamento, e não obtendo permissão para filmar dentro dos tribunais, os diretores tiveram que reconstruir boa parte do que foi contado lá dentro re-entrevistando as testemunhas. Mesmo com esse empecilho, realizaram um trabalho competente.

Explicando até o menor dos detalhes a cerca das investigações sobre o “verdadeiro Cropsey”, Barbara e Joshua criam uma narrativa ágil e envolvente, gerando um retrato dos medos da sociedade, além de uma demonstração do modo como ela os encara e incorpora. No final, Cropsey conta não só com uma história assustadora, como, soando propositalmente inconclusivo, oferece um estudo sobre a lenda urbana no seu significado mais mortificante: não se trata de descobrir a verdade, mas de mostrar que a verdade pode aparecer das formas mais diversas e cruéis que se pode imaginar.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: