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Unfaithfully Yours (1984)

18/01/2011

No dia 9, exatamente 9 dias atrás, eu vi um filme que me traiu. Olhem o cartaz:

O sorriso do sujeito é levemente bonachão (ou adjetivo similar), mas Infielmente Tua (Unfaithfully Yours, EUA, 1984), ao menos na capa feia que eu tinha em mãos (essa mesma, só que… feia), não parecia uma comédia. Parecia um thriller. A própria tag (genial) do filme dá essa ideia: “Uma mulher linda é como uma sinfonia. Pensar que outro está sendo seu maestro pode te deixar louco” (minha tradução livre de “A beautiful woman is life a symphony. It can drives you crazy if you think someone else is scoring” – funciona melhor em inglês).

Comecei a ver pensando que veria algo mais sério e trágico, mas estava preparado caso não viesse a ser esse o caso. E de fato, a cena de abertura do filme deixa claro o mesmo tratar de outro caso, um cômico, uma vez que vemos o protagonista (um maestro) confessar (em off) seus planos de matar sua esposa em função do caso que a mesma está tendo. Era uma comédia. Olhem o outro cartaz:

Na verdade, o maestro Claude Eastman (Dudley Moore) não nos diz o porquê de matá-la (Nastassja Kinski, linda) no seu monólogo que abre Unfaithfully Yours, mas isso fica claro à medida que alguns minutos de filme passam (caso você já não tenha notado essa obviedade no título do filme) – mesmo depois de ter descoberto seu título em português, continuarei a chamar Infielmente Tua de Unfaithfully Yours; a tradução está correta, mas não posso fazer nada, simplesmente me acostumei com o original.

O marido traído que não suporta a traição e quer descontar na esposa traidora. Suspeito que Shakespeare tenha tirado isso dos gregos. Ou seja, é clichê velho. A novidade fica por conta da forma como o clichê é utilizado. Novidade em parte, é necessário dizer, já que Unfaithfully Yours/Infielmente Tua é uma refilmagem de Unfaithfully Yours/Odeio-te, Meu Amor, de 1948.

Não vou revelar a tal novidade por que parte da graça é descobrir ela vendo o filme. É interessante sentir a mesma insegurança do protagonista até descobrir o que de fato está acontecendo. Primeiro acompanhamos de perto Claude em suas suspeitas, e depois passamos a observá-lo de longe em sua interpretação errônea dos fatos – nos divertindo nesse meio tempo.

Mas o fato é que, por mais irrelevante que seja o tom do longa, sua premissa se mostra absurda demais, chegando a cenas implausíveis que só se sustentam graças ao elenco (e aos bons diálogos). Aliás, de nada valeria o filme sem a performance inspirada de Dudley Moore como o maestro desconfiado. Demonstrando uma presença em cena fantástica, Moore é o que sustenta Unfaithfully Yours e o salva do fracasso. Pois, por mais que o roteiro seja esperto na maior parte do tempo, o mesmo conta com furos notáveis – a utilização dos broches de abóbora, por exemplo, começa como uma boa ideia, mas é terrivelmente mal resolvido (sem contar o problema na fita cassete, que é bastante forçado).

O diretor Howard Zieff faz um bom trabalho no geral, só que não é capaz de impor o tom de ‘zuação’ necessário em partes da narrativa – como quando Claude pergunta a opinião do mordomo italiano (Richard Libertini) sobre o que fazer: nós rimos, mas não somos convencidos. Em todo caso, essa falha da direção é compensada pelo ‘espirituosismo’ da atuação de Moore quando o mesmo está em cena – além do duelo de violinos, provavelmente a melhor cena do filme, que Zieff conduz muito bem.

Provavelmente não sabendo como solucionar o problema em que se colocaram, ou sofrendo de um moralismo condenável (ironia?), os roteiristas Barry Levinson, Robert Klane e Valerie Curtin decidiram incluir uma (demasiada) longa fantasia de Claude em determinado do filme (perto do final) para ilustrar a insanidade do sujeito, acertando em tom e detalhes, criando um quase-final brilhante. O erro? O ‘quase’ precedendo o ‘final’.

Embora seja divertido ver a decepção de Claude ao se confrontar com a realidade ao despertar de seu sonho, tal decisão do roteiro soa improvisada e maldita (enganosa, canalha, frustrante). Não é algo que destrua o bom filme, mas certamente tira o melhor que o mesmo tinha apresentado: o quase-final. 3/5

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