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A Menina Que Brincava Com Fogo

12/01/2011

Quando escrevi sobre Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, em maio de 2010, não poupei elogios ao longa sueco, e não pensei suas vezes antes de selecioná-lo como um dos melhores filmes do ano. Estava mais que ansioso para conferir as duas continuações da história – no cinema. Todos os filmes foram filmados simultaneamente em 2009, e depois da chegada do primeiro, imaginei que os outros chegariam logo em seguida. No entanto, a publicidade porca em cima do primeiro filme no Brasil refletiu em um mau desempenho nas bilheterias, e conseqüente cancelamento da vinda dos outros episódios da Trilogia Millennium para o Brasil. Assim, eu estava com A Menina Que Brincava Com Fogo (Flickan Som Lekte Med Elden, Suécia, 2009) na lista de downloads há eras, mas nunca terminava de baixar. Até poucos dias atrás.

Há apenas um pequeno (enorme) detalhe que diferencia essa segunda parte da história concebida por Stieg Larsson: o diretor (os roteiristas também mudam, mas não vem ao caso). No primeiro filme, a atmosfera de mistério era combinada com personagens interessantes, e cada um com uma característica dramática própria (no que se sobressaia a hacker Lisbeth Salander). O diretor Niels Arden Oplev conseguia manter um clima de humanidade ao filme, ao mesmo tempo em que se mostrava um David Fincher sueco na condução da narrativa, intrigando o espectador o tempo todo. Infelizmente, Oplev foi substituído por Daniel Alfredson nessa continuação de Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, e tal atitude por parte dos produtores não foi muito bem vinda. Não digo com isso que A Menina Que Brincava Com Fogo seja ruim. Pelo contrário, é um ótimo filme. Porém não tão excelente quanto o primeiro.

O único tempero que faltava era um carga dramática mais forte.

Desse vez a narrativa não se resume a uma trama isolada (“Quem matou Harriet?”), e o problema está nas mãos próprios personagens. Agora praticamente toda a história é centrada no passado de Lisbeth. São três investigações paralelas cuja conversão para uma só resume o maior mérito do filme. O modo arquitetado pelo roteirista Jonas Frykberg pelo qual vamos enxergando as ligações entre as diferentes ‘coisas’ que acontecem no filme é digno de um “Parabéns!”. E nesse sentido, a direção de Daniel Alfredson se mostra muito mais urgente e dinâmica do que a de Oplev.

Em contrapartida, se o roteiro e direção são competentes em jogar o espectador para dentro do jogo de gato e rato dos personagens de Stieg Larsson, ambos fracassam em jogar o espectador para dentro dos personagens – falha maior do filme. O grande arco dramático de A Menina Que Brincava Com Fogo se resume a uma revelação sobre o passado de Lisbeth, e o confronto dela com o mesmo. Infelizmente, quando o momento chega, não há drama suficiente. Pensamos “Ok.”, mas não sentimos isso. É o que ficou faltando e o que se não faltasse faria o filme tão bom quanto seu antecessor.

Dentro da narrativa, é interessante ver que Lisbeth, mais uma vez em grande atuação de Noomi Rapace, ganha mais foco, porém decepcionante que o jornalista Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist) seja tão mal utilizado pelo roteiro durante o terceiro ato do filme, no qual ele nada faz além de atender o celular.

Apesar dos problemas, a segunda parte da Trilogia Millennium é um ótimo thriller, tenso, com um final que só faltava levantar o letreiro “Continua”. 4/5

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