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Pânico 3

04/01/2011

No ano passado o @clickfilmes falou tanto de Pânico no Twitter, que me vi na obrigação de correr atrás dessa que é uma das obras mais aclamadas do cinema de terror da década de 1990. Fama merecida, devo dizer. Adorei o filme, e adorei ainda mais a continuação. No entanto fiquei relutante em assistir o terceiro filme, por dois motivos: gostar muito e ficar com aquela sensação de ‘quero mais!’, ou não gostar, e me decepcionar com a franquia. Isso foi em setembro. Agora, 4 meses depois, me entreguei ao terceiro e ex-suposto-capítulo-final da ex-suposta-trilogia Pânico.

Tudo que funcionava nos outros filmes está de volta, com uma diferença. O roteirista não é mais o mesmo. Kevin Williamson foi embora, e Ehren Kruger veio. Não que isso seja um problema. Kruger não era muito conhecido na época, apesar de receber elogios pelo roteiro de O Suspeito da Rua Arlington (que não vi), e fez um bom trabalho em Pânico 3, se comprometendo a continuar com o que a série tinha como grande diferencial: a metalinguagem.

Dessa vez, os personagens sobreviventes dos outros longas encontram um serial killer que aparenta conhecer sobre o passado da mãe de Sidney, e começa uma matança entre os membros do terceiro filme sobre os assassinatos que aconteceram no primeiro Pânico. Ou seja, um filme dentro do filme. Metalinguagem pura. Quem viu Pânico 1 e 2 sabe do que eu estou falando – essa sinopse talvez não faça sentido se você não viu nenhum desses filmes.

Um detalhe genial do roteiro de Kruger é fazer os personagens lerem páginas do roteiro do filme dentro do filme (Stab 3) no mesmo instante em que isso acontece no filme (Pânico 3). Confuso? Talvez, mas é um exercício de metalinguagem fascinante, e bastante eficaz. Por que você sabe o que vai acontecer, de certa forma, mas quer ver o que vai acontecer, para ter certeza, coisa que invariavelmente aumenta a tensão.

Como não podia deixar de ser, o elemento comédia também se mostra presente. Afinal, a moral de Pânico era justamente ironizar com os clichês do gênero, ao mesmo tempo em que os utilizava. Pânico 2 elevou a tensão ao máximo. E agora Pânico 3 faz uso mais concentrado do humor – notável em bons diálogos como no que o produtor de Stab 3 questiona o policial que investiga a morte de um sujeito ligado ao filme se havia necessidade de interrogar os membros da produção, e o policial responde “Ele estava trabalhando em um filme chamado Stab (facada). Ele foi esfaqueado”, deixando evidente o porquê da presença da polícia ali.

Tudo isso sem cair na auto-paródia exagerada, pois o filme ainda funciona como um ótimo suspense. O que obviamente só funciona em função de ser Wes Craven, novamente, o nome junto ao crédito de ‘Dirigido por’. Sua capacidade de funcionar com o gênero de terror é incontestável. Craven é um dos diretores mais relevantes de seu tempo, e ainda subestimado (só por ser um diretor de terror). Em Pânico 3 ele de novo comprova seu talento. A cena dentro do estúdio de cinema é um primor, pois remete diretamente ao primeiro filme, e dá aquela ótima sensação de nostalgia.

O elenco (literalmente) sobrevivente repete com competência dos mesmos personagens que ganharam nossa simpatia nos filmes anteriores: David Arquette revive o desajeitado Dewey, Courtney Arquette de novo faz a obstinada Gale (mais contida dessa vez), e por fim, a doce Neve Campbell incorpora mais uma vez a sofrida Sidney (sempre tem alguém querendo matar a guria, coitada). Das novas adições ao elenco, se destaca Parker Posey como a atriz cuja personagem em Stab 3 é Gale, e as cenas entre Courtney Arquette e Posey, Gale real contra Gale falsa são as mais divertidas; e Patrick Dempsey também merece menção devido a uma cena específica em que seu personagem, o detetive Kincaid conversa Sidney na delegacia. Dempsey consegue compor um sujeito bastante dúbio.

É uma pena, no entanto, que nossa protagonista, Sidney, não seja muito bem aproveitada pelo roteiro. Aparece muito pouco para o que se esperaria do (suposto) último Pânico. Mas Ehren Kruger, pelo menos, cria uma personagem inteligente, provando a sua própria como roteirista, e compõe uma Sidney que mostra ter aprendido lições de como sobreviver a um filme terror com o passar dos anos.

Outra pena, lastimável na verdade, é o desfecho da história. Se Ehren Kruger acertou em fazer de Sidney uma heroína inteligente, errou grosseiramente ao esquecer desse detalhe para com o vilão. Não nas ações ou nos planos do mal, pois nisso o vilão de mostra competente, o problema está na caracterização do personagem. É um personagem patético que não convence como vilão malvado com capacidade para pensar em tudo de forma tão competente (o ator Scott Foley faz o que pode, mas fica preso à caricatura que é seu personagem). O que, no final das contas, é muito decepcionante. E decepcionante também é a motivação do vilão, algo que se mostra muito forçado, e pouco convincente – ainda que o personagem fosse melhor trabalhado, de forma mais séria, ok, mas do jeito que ficou, não deu certo.

Enfim, bom começo, bom meio, e final fraco. 4/5

E daqui a mais 4 meses, temos a estréia de Pânico 4. Estou bastante curioso com o que vão inventar dessa vez. Kevin Williamson volta ao cargo de roteirista, e é Wes Craven de novo na direção, então há esperança. Tomara que não façam bobagem.

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