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Fantaspoa #1

11/07/2010

Crianças, se tudo der certo, verei muitos, muito, mas muitos filmes nos próximos sete dias. Tudo no Fantaspoa. Tudo, ou certamente a esmagadora maioria das sessões será em salas passando filmes da programação do festival. Porto-alegrenses já devem conhecer o Fantaspoa (e quem não conhece, shame ou you!, principalmente se você se considera cinéfilo), mas para os estrangeiros, eu explico: Fantaspoa é Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre. 2010 é recém sua VI edição, o negócio está germinando ainda, e pelo jeito que as sessões estão esgotando os ingressos, parece que durará bastante ainda (ou talvez não).

Enfim, a brincadeira começou em dois de julho com o filme alemão É Preciso Amar a Morte (Must Love Death, 2009), uma comédia macabra que verei amanhã (domingo 11/07, ou seja não é amanhã, é hoje, mas como não dormi ainda, escrevendo de madrugada, para mim ainda é sábado, e amanhã é domingo). Dia três e quatro foi a mostra dos curta-metragens, só que como eu ainda estava ocupado com o último trabalho de Introdução à Fotografia nesse fim de semana, não vi nada. Na segunda, no entanto, além de ver A Jovem Rainha Victória mais cedo de tarde, consegui ir ver uma sessão especial do Fantaspoa. Às 19h no Cine Bancários passou a versão restaurada, inédita em DVD, do filme O Jovem Tataravô, o primeiro filme brasileiro com temática fantástica. É, pasmem, uma comédia musical de 1936, e é, pasmem², muito engraçado.

É sério, o filme é realmente engraçado. Isso é que mais assusta no filme. Toda a sala do cinema ria com as piadas de 80 anos atrás (OITENTA ANOS). Não estávamos rindo por constrangimento de um humor que não funcionaria hoje. Não. Estávamos rindo quando o filme queria que nós ríssemos! Incrível. Apesar da qualidade péssima de imagem, vale a pena. Qualidade de imagem, aliás, foi um dos temas da discussão que se seguiu após o término do filme. Debateram dois pesquisadores de audiovisual (Carlos Primati e Laura Cánepa) que estão fazendo um trabalho de recuperação da memória do horror no cinema brasileiro (com ‘horror’ remetendo a elementos do fantástico, e não necessariamente do terror, vale salientar). Gostei bastante. 4/5

Terça, quarta e quinta eu precisei me enclausurar em casa para terminar as fichas de filosofia que comentei no último post. Para comemorar, fui ao Cine Santander conferir o filme da Mostra de Animação que acabará sendo o único da mostra que terei visto nesse ano.

Tales of Vesperia: The First Strike (Teiruzu obu Vesuperia: The First Strike, 2009) é longa-metragem animado japonês baseado em um jogo de videogame de mesmo nome. Ou seja, é um anime quase tradicional (seria tradicional se fosse adaptado de um mangá [HQ {quadrinho, gibi, tá ligado?}]). Eu não saquei muito bem a lógica do universo ‘RPGístio’ retratado no filme (não vou explicar o que é RPG). Há uma substância chamada Aer, e outra chama blástia, ou são a mesma e uma é derivada da outra… Ok? O que interessa, o mote da coisa é que há uma área da floresta em que o Aer está concentrado demais. Isso é ruim por que afeta os animais e mata as plantas. Os animais ficam do mal e querem matar todo mundo – e em determinado momento até o Aer em estágio puro começa a agir diretamente. A cidade está a salvo no momento por que ela tem um campo de força à base dessa outra substância, a blástia. Só que não durará para sempre, e é aí que entram os heróis da história. Eles precisam ir até umas ruínas perto do cidade investigar a concentração perigosa de Aer.

Eu explicando deve ficar ainda mais confuso, mas não interessa. No momento em que você está vendo o filme, não interessa o “como” ou o “porquê”. Interessa é que a coisa está acontecendo, e ponto. Vamos acompanhando os protagonistas e gostando deles. Isso por que, como todo anime que se preze, a aventura toda é muito bem-humorada. Tales of Vesperia é mais engraçado que a maioria das comédias de esquina que Hollywood produz anualmente. E, no entanto, é uma produção séria. A situação dos personagens é insegura. Os dois protagonistas não se dão muito bem e precisam acertar as diferenças. Um desrespeita todas as regras, o outro faz exatamente o contrário, e no fim cada um erra e acerta a sua maneira, se completando. Os outros personagens, se não são muito desenvolvidos, certamente conseguem marcar presença graças ao ótimo time de dubladores. Não conheço atores japoneses muito bons, agora a dublagem japonesa certamente é uma das melhores do mundo. A energia com que os caras empregam a voz é invejável.

Do mesmo modo, na mesma linha de qualidade está a trilha sonora. As trilhas dos japoneses mereciam mais destaque fora do mundo dos otakus (fãs de animes). Tanto nos animes quanto, principalmente, nos videogames, os compositores do Japão humilham. Eles pensam em temas musicais de engrandeçam a narrativa. Arranjos épicos e solenes ao mesmo tempo. Cenas felizes, tristes ou tensas sempre soam bem aos ouvidos. Parabéns ao compositor Akira Senju pelo trabalho feito aqui – adaptado ou não do jogo, não importa. E a canção do final é um rockzinho bem legal na voz doce de Bonnie Pink.

Fechando o quadro, é preciso dizer que a animação em 2D é muito bem realizada, como era de se esperar. Todavia, infelizmente os momentos de composição gráfica em 3D deixam muito a desejar. Não entendo como os japoneses conseguem proezas em gráficos de videogame, e criam tanto trabalho porco no cinema (vide os efeitos de Death Note).

*Ahá! Tales of Vesperia é um lançamento especial para servir de prólogo a um dos jogos da série! Descobri isso agora. Essa série de jogos foi adaptada como série de anime, mas não saiu do Japão. Dá para notar. Tales of Vesperia nem tem título em português. São 12 jogos, com o primeiro tendo sido lançado em 1995. Parece que é uma franquia bem famosa e lucrativa entre os conhecedores dessa arte (sim, videogame é uma arte, se acostume com a ideia).

Se os jogos estão há tanto tempo no mercado, espero que suas adaptações cinematográficas também fiquem. 4/5

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