
Suspeita
02/01/2011Nesse começo de ano, começo de 2011, consegui assistir a um filme no primeiro de janeiro. Consegui isso pela primeira vez desde que comecei a compilar as listas de todos os filmes vistos no ano. E também nesse começo de ano, vou procurar manter o Fakeline mais dignamente atualizado. Começando com uma (pequena) crítica sobre esse primeiro filme do ano.
Assistir Suspeita (Suspicion, EUA, 1941) não foi tão surpreendente quanto saber algumas informações sobre o filme após tê-lo visto. Um filme de Hitchcock ganhar um Oscar não é surpreendente, mas constatar que o prêmio foi de Melhor Atriz… E se a indicação à Melhor Trilha também não é novidade, a de Melhor Filme é notável.
Só que o filme não é tudo isso. Não li sinopse, fui direto ao filme (escolhido pelo meu irmão, vale dizer). Embora o título seja bastante específico quanto ao conteúdo da história, a história, por si, não é muito certa de si mesma. Um roteiro sem foco, e com um final bem ‘ah para, que palha’ (e até moralista), que tenho certeza que Hitchcock dirigiu apenas como exercício de estilo, brincando com as suspeitas do espectador sobre determinado personagem, testando diferentes planos com o diretor de fotografia Harry Stradling Sr.
A ‘trama’ é o seguinte: mulher filha de ricos se casa com sujeito conquistador que não tem dinheiro. A partir daí, acontecem coisas que fazem a protagonista (Joan Fontaine) suspeitar das intenções de seu marido (Cary Grant). Como dito, o pouco inspirado roteiro de Alma Reville, Joan Harrison e Samson Raphaelson só sobrevive graças à direção divertida de Hitchcock que, apesar da temática séria (ocorre um assassinato), nunca se esquece dos momentos de alivio cômico, geralmente centrados no amigo desajeitado do casal, interpretado por Nigel Bruce.
Além disso, Cary Grant oferece uma ótima performance como o dúbio John Aysgarth, dando a chance de o espectador gostar do personagem e ao mesmo não confiar no mesmo. Ele é que merecia indicação ao Oscar. Joan Fontaine também faz bonito como a sofrida Lina, mergulhada em constante dúvida, ou melhor, suspeita. Não sei se estava para a melhor atuação do ano, mas Fontaine não decepciona, e é graças a ela que acabamos suspeitando de Johnnie – coisa mais essencial do filme.
Só que no final das contas, o mote do roteiro não serve para um longa-metragem. Talvez um média ficasse bem. Ou quem sabe Hitchcock fizesse de Suspeita um filme realmente bom se tivesse um roteiro à altura de sua ambição estética. Por que Suspeita tem seus momentos dignos, como a belíssima cena do copo de leite – “o copo de leite mais assustador do Cinema”, como bem sugeriu alguém nos comentários do Filmow. Só uma pena que sejam poucos, breves e finalizados de modo forçado, em meio a um roteiro irregular. 3/5.

Guilherme e os filmes clássicos
Hahaha, esse pode ser o nome de uma série para o blog, ‘Guilherme e os filmes clássicos’.