
Recovering…
06/11/2010É o seguinte, eu queria comentar todos os filmes que eu tinha visto em outubro (e todos que fossem vistos desde então), visando assim postar com mais frequência. Ao invés de comentar brevemente todos os filmes que vi (até hoje, digamos) em único post, resolvi escrever um post para cada filme visto, e assim conseguir ter mais posts no blog. Mas tem acontecido um efeito colateral. Eu tenho evitado ver novos filmes, com medo de não conseguir comentar decentemente os vistos a dias atrás. E tudo vai ficando mais complicado. Ou seja, não tem funcionado. Vou comentar (alguns superficialmente) os que faltam agora. E a partir de hoje, poderei postar quase diariamente.
Na ordem (10/10), depois de Eu e Meu Guarda-Chuva, fui encarar A Lenda dos Guardiões (Legend of the Guardians: The Own of Ga’Hoole, 2010).
A ideia de um filme protagonizado por corujas é bem interessante, e inédita, o que já valeria a ida ao cinema, ainda mais considerando a qualidade (técnica) espantosa da animação. No entanto, o roteiro de Emil Stern e John Orloff, adaptação do livro de Kathryn Lasky, é bem pouco interessante, e peca por, em uma enorme galeria de personagens, não desenvolver nenhum deles decentemente. O que vale no filme é o visual. 3/5
Três dias depois (13/10), fui me aventurar a descobrir a localização do Instituto NT, que fica pelos arredores do bairro Moinhos de Vento. Peguei o T8 e desci no lugar errado. A sorte foi o logo do Sheraton pode ser visto à distância, então fui me guiando por ele até encontrar algum ponto conhecido da região. Por acaso, me vi antes que o esperado na rua em que precisava estar (a Marques do Pombal). Ali, fui conferir um filme italiano que o @Cinefilo_Maza e a @luaamil não paravam de falar bem.
Vincere (Vincere, 2009) merece ser assistido, entre outras coisas, por apresentar um acontecimento verídico e histórico nunca antes divulgado. A história (ou seria História?) contada é a do envolvimento de Benito Mussolini com Ida Dalser, e do filho que nasceu do amor (eufemismo) de ambos. Isso foi antes de Benito virar apenas Mussolini, e abraçar a canalhice como lema de vida. Depois que o sujeito (em segura interpretação de Filippo Timi – diga-se de passagem) chega ao poder, a situação muda… É de conhecimento público que Mussolini era casado com Rachele Guidi, com quem teve cinco filhos. Mas ninguém sabe nada de Ida Dalser e do filho que ela teve com o ditador. Vincere trata de revelar esse mistério, e mostrar o que Mussolini fez com sua primeira mulher e seu primogênito.
No mais, particularmente encontrei muitas similaridades entre Vincere e A Troca (Changelin, 2008). Sendo a mais relevante delas a performance impecável da atriz que vive a protagonista. Giovanna Mezzogiorno dá um show de atuação. Outro forte motivo para assistir ao filme. 4/5
Obs: ainda quero escrever mais detalhadamente sobre Vincere.
Dois dias depois (15/10), me arrisquei de novo em terreno desconhecido – dessa vez metafórico.
Não é de hoje que eu tenho asco por religião. Quem ainda não sabia, fique sabendo. Sou ateu, e não consigo compactuar com a crença em qualquer divindade que o seja. No entanto, ao contrário do que muitos crentes afirmam, não é por isso que eu vou falar mal de qualquer coisa que envolva religião. Eu por exemplo, adoro Presságio (Knowing, 2009), um filme com discurso claramente criacionista; e não gosto de Criação (Creation, 2009), que defende justamente o contrário. Ou seja, se o filme funciona, ponto para o filme.
Dito isso, Nosso Lar (2010) não funciona. As atuações são inexpressivas e risíveis, no nível de novela da Globo – e até mesmo atores competentes como Werner Schünemann tem participações ruins. A direção Wagner de Assis é amadora e, assim como a montagem falha de Marcelo Moraes, lembra demais uma produção feita para a TV (coisa que não funciona no Cinema). E, no entanto, não há como negar que o pior elemento de Nosso Lar é o roteiro. Escrito pelo próprio Wagner de Assis, a partir de um livro escrito por Chico Xavier. A suposição que aqui se tenta afirmar como verdade é a de que existe um universo paralelo para onde vamos depois de morrermos, ou, como o próprio filme diz: de onde viemos antes de nascermos. O único detalhe interessante é a ideia de atemporalidade. Quando o protagonista André Luis quer mandar uma mensagem à Terra, o Ministro das Comunicações (Schünemann) pergunta: “O que vai ser? As tecnologias do passado ou do futuro?”. Só é uma pena que o longa não saiba aproveitar esse conceito curioso. E por falar em Ministro da Comunicação, vale comentar que absolutamente tudo no universo de Nosso Lar tem algum Magistério por trás. Somente uns poucos nos são apresentados, mas dá a entender que existem milhões.
Para exemplificar a fragilidade do roteiro, basta lembrar que, em determinado momento, umas personagens decidem reencarnar. Outro pergunta se elas têm certeza. Resposta: “Sim. Planejamos a vida perfeita”; no que uma das outras mulheres que vai junto comenta: “Mas nunca se sabe”. Preciso dizer mais alguma coisa?
Ok. Deve-se reconhecer que o filme tem seus méritos também. São poucos. Na real, são dois. Ou um e meio, como preferirem. O primeiro deles é a direção de arte, que consegue fazer o espectador crer que a situação não se passa na Terra (pelo menos não como a conhecemos) – o que é absurdamente importante para o desenrolar da história. Outro ponto positivo é um das primeiras cenas do filme, que consegue resumir toda a vida de André Luis em apenas um movimento de câmera (a cena do bar, inconfundível). Esse é a única sacada legal do diretor Wagner de Assis, pois o resto do trabalho realizado por ele é medíocre, para dizer o mínimo.
A trilha sonora de Philip Glass, embora linda, apenas contribui para o elemento fantasia do filme, o que facilita para que o espectador considere tudo aquilo que aparece na tela ainda mais absurdo do que já é. E se a fotografia (Ueli Steiger) acerta naquela cena do bar, ela acaba pecando na maior parte do filme, justamente por usar uma paleta de cores que reforça a ideia de fantasia, o que, mais uma vez, empurra o espectador para longe do ideal proposta pelo péssimo roteiro.
Se eu fosse apontar todas as falhas do filme, não acabaria nunca. Uma amiga minha, que é espírita, comentou: “Eu adorei Nosso Lar. Mas é por que eu sou espírita, então aquilo tudo faz sentido para mim”. O detalhe é que um filme deve se sustentar sozinho. Essa de “Ah, se tu não é espírita, tu não vai entender o filme”. Papo furado. Isso é desculpa para encobrir a mediocridade do longa. É como você dizer que não gostou de um filme que seu amigo amou e ele reclamar com “Tu não leu o livro, por isso tu não entendeu”. Não! Qualquer filme que se preze deve ser auto-explicativo.
Por outro lado, se a “lógica” por trás do Espiritismo está tão bem representada em Nosso Lar, como vejo tantos adeptos da religião afirmando, então, olha, se conformem, pois a única coisa que Nosso Lar faz é atestar justamente a falta de lógica do Espiritismo. 1/5
Depois dessa sessão maçante (mal tinha passado 30 minutos de filme e eu queria sair da sala), não tive chances de respirar e fui ver o novo “filme com a Julia Roberts” com meus avós – aspas por que, né, “filme com a Julia Roberts” já virou gênero.
Adaptado do bestseller homônimo de Elizabeth Gilbert, Comer Rezar Amar (Eat Prey Love, 2010) tem um problema incompreensível: duração demasiada longa. São quase 2h30 de “filme com a Julia Roberts”! Como o diretor Ryan Murphy não encontrou outro modo de montar o filme, eu não sei, mas o fato é que ele fez um filme longo demais para sua proposta, além de pouco interessante em sua completude. 2/5
Mais três dias (18/10), e fui conferir Oliver Stone voltando à boa forma.
A infame crise financeira que abalou as bolsas de valores de (quase) todo mundo em 2008 foi a fagulha necessária para Oliver Stone dar continuidade a seu Wall Street: Poder e Cobiça (Wall Street) – que eu ainda não vi –, e meter o dedo na ferida mais recente do mercado capitalista: a especulação financeira.
Como não vi o primeiro, não sei como essa continuação está a nível de comparação, mas se o filme funciona direito e atinge seus objetivos sem que o espectador precise ter visto o longa anterior, acredito que seja um ponto positivo. E de fato, Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme (Wall Street: Money Never Sleeps, 2010), consegue se mostrar superior à media dos filmes lançados em 2010, além de ter um dos títulos mais legais do ano.
Certamente aqueles que assistiram a Wall Street na época de seu lançamento sentiram uma nostalgia ao verem Gordon Gekko sair da prisão depois de cumprir sua pena, e provavelmente já ficaram teorizando sobre o que poderia acontecer a partir daquele momento. Isso ocorre por que Oliver Stone acerta ao re-introduzir com cautela o célebre personagem que rendeu a Michael Douglas o Oscar de Melhor Ator em 1988, demorando o tempo necessário até revelar o rosto do ator, e o contrapondo com a imensidão que é Nova York em um plano aberto assim que sai pelo portão da prisão – o que para mim representa duas ideias interessantes e contrastantes: 1) mostra o quanto o mundo mudou desde que Gekko foi preso, mostrando o quão insignificante ele (Gekko) é – o que pode dar a entender que Gekko aprendeu sua lição; e/ou 2) mostra as novas oportunidades que podem surgir para Gekko e seus planos mirabolantes – o que comprovaria que Gekko não aprendeu sua lição. Ou ainda pode ser uma junção das duas alternativas – o que acredito que seja.
Independente de qual interpretação é a certa, o fato é que Wall Street 2 consegue ser intrigante mesmo sem uma grande trama. Deixando claro: com ‘trama’, me refiro ao arco narrativo, que não é grande coisa, não é complexo como poderia ser. Mas o roteiro, no geral, se mostra bastante competente. Escrito por Allan Loeb e Stephen Schiff, o roteiro mais impressiona pela ‘aula’ de capitalismo e pelo modo como expõe o modo de funcionamento do Sistema de forma didática e interessante, do que pelas motivações pessoais dos personagens que apresenta. Tal característica é intensificada graças à direção segura de Stone, além da (super) dinâmica montagem (David Brenner e Julie Monroe) cheia de estilo, que troca de uma cena para outra sempre de modo diferente e interessante – algo que também serve para ilustrar a instabilidade do (maluco) mundo da especulação.
Beneficiando-se ainda pelo bom elenco, com Michael Douglas brilhando mesmo como coadjuvante, Josh Brolin de novo soando crível e temível como vilão, e Shia LaBeouf mais uma fez comprovando seu carisma, Wall Street 2 é um filme que vale ser visto, e ainda conta com uma reviravolta esperta na metade final. E só uma pena que tudo não tenha acabado nesse penúltimo twist, que infelizmente se desdobra em uma última cena inverossímil, que soa dramaticamente forçada, deslocada de tudo que o longa vinha defendendo, além de, claro, ser totalmente dispensável. Serve apenas para tornar o filme menor amargo e mais palpável ao grande público. 4/5
Mais dois dias (20/10). Chego em casa e ligo a TV.
Minhas Adoráveis Ex-Namoradas (Ghosts of Girlfriend Past, 2009) é uma comédia romântica hollywoodiana. Isso deveria bastar para explicar o filme. No entanto, é uma comédia romântica dirigida por Mark Waters, e isso coloca o filme acima da grande maioria do gênero, ainda que, nesse caso, sejam apenas alguns centímetros.
O grande problema é o roteiro super-ultra-mega-preguiçoso. Típico exemplo de quando o cara tem uma ideia legal, mas não se presta a desenvolvê-la como deveria, e joga o potencial do negócio fora. O culpado pela mediocridade presente ao longo de Minhas Adoráveis Ex-Namoradas (tradução brasileira queria soar irônica) são os roteiristas Jon Lucas e Scott Moore, que parecem não compreenderem a própria premissa.
O que salva o filme é a direção do já citado Mark Waters (um cara que merece mais reconhecimento), que consegue duas coisas interessantes e paradoxais: 1) oferece uma visão mais cínica dos relacionamentos amorosos no começo, em uma cena seca; 2) e desconstrói isso tudo no final, em uma cena emocionante. E o legal é que as duas cenas funcionam bem, mesmo que a segunda tire a força da primeira, uma vez que defende um discurso totalmente contrário.
Também vale mencionar que Matthew McConaughey consegue sua melhor atuação cômica nesse filme, misturando as personas de George Clooney e James Stewart de forma inusitada, e chegando a um resultado interessante. Mas, apesar disso, o filme só sobrevive graças à divertidíssima participação de Michael Douglas, que rouba o filme sempre que surge em cena. 3/5
Próximo filme foi apenas uma semana mais tarde (27/10).
Mais uma comédia romântica que fica acima da média. Não tenho certeza se é mesmo, mas Sedução em Manhattan (Suburban Girl, 2007) parece demais com filme feito para TV. Tem a mesma estrutura narrativa, e o próprio feeling de ver o filme de dá sensação de que ele não foi feito para a tela grande – pelo menos não funcionaria muito bem lá. De qualquer forma, apesar de se perder em alguns clichês, que poderia facilmente ter desviado, o longa cativa pelo carisma dos protagonistas, interpretados por Sarah Michelle Gellar (fofa com sempre) e Alec Baldwin – que está excelente, e faz até soarem plausíveis as falhas que o roteiro comete na construção do personagem. 3/5
Então chega sábado, três dias depois (30/10), e começa o meu curso de roteiro, no qual tenho como colegas o @a_nique e a @anatwix (e sua mãe), e no qual assistimos a Gattaca: Experiência Genética (Gattaca, 1997).
Dirigido e roteirizado por Andre Niccol, Gattaca é uma ficção científica conceitualmente brilhante, que apresenta uma interessantíssima visão de um futuro não muito distante, ao mesmo tempo em que proporciona uma discussão crítica sobre Ética, e sua relação curiosa com a ciência desenfreada.
Falando assim, Gattaca parece absolutamente genial. Assim o seria, não fosse a fraca trama policial que percorre o filme todo, e que termina de forma fácil e previsível demais. Em todo caso, o filme merece sem dúvida ser visto (e relembrado). 4/5
Obs 2: assim como com Vincere, ainda quero escrever mais detalhadamente sobre Gattaca.
No domingo (31/10) eu queria ter passado o dia todo no cinema, mas o preço não me agradou. Vi pelo menos um filme.
Atividade Paranormal 2 (Paranormal Activity 2, 2010) supera seu antecessor, pois explora muito mais, e de forma muito dinâmica a técnica do mockumentary (falso-documentário), alternando a câmera caseira com as câmeras de segurança da casa – embora o trabalho pudesse ter sido ainda melhor. No entanto, só isso não adianta para o filme funcionar. A montagem (Gregory Plotkin) peca por incluir tomadas absolutamente dispensáveis (ao contrário do que acontecia no primeiro filme, onde o diretor Oren Peli tomou o cuidado de tentar só mostrar o essencial). E a direção (Tod Williams) não consegue convencer o espectador de que ele está vendo algo que é para ser supostamente uma filmagem real, e, do mesmo modo que acontecia com Atividade Paranormal 1, vários dos sustos do longa acabam soando risíveis, e tirando o clima de suspense (a sala gargalhava em alguns momentos).
O resultado é tão parado e monótono quanto o primeiro filme. Porém a continuação acaba se salvando pelos 10 minutos finais, que atingem um soberbo grau de tensão. 3/5
Dia seguinte, 2ª-feira pré-feriado (01/11).
Atração Perigosa (The Town, 2010) tem uma boa direção de Ben Affleck e um bom elenco, encabeçado pelo mesmo ao lado de Jeremy Renner, Rebecca Hall e Jon Hamm. Porém, o longa sofre com um roteiro sem muita inspiração, escrito pelo próprio Affleck junto com Aaron Stockard e Peter Craig, que não desenvolve a maioria dos personagens. Sem contar a montagem (Dylan Tichenor) que, apesar de muito eficiente nas cenas de ação, se mostra falha ao ilustrar a passagem do tempo. E aposto um nego e um cachimbo que será lançada uma “versão do diretor” em DVD e BD que não contará com esses erros. 3/5
Obs 3: também quero escrever mais sobre Atração Perigosa em outro momento.
Obs 4: faltam mais três filmes para serem comentados.




Apesar de não ser cinéfila, não gostei muito de Atividade Paranormal 2. Talvez por não gostar de filmes, documentários que tratam desse assunto de “casa mal-assombrada”, “espíritos q retornam”, pois tá cheio de documentários americanos sobre isso e a coisa já ficou muito “clichê”.Não senti medo, não fui para casa com a “cabeça assustada”, aliás, nem sei se essa era a verdadeira intenção de quem fez o filme.E quanto a história, as cenas “mais importantes” aparecem mais da metade para o final… e eu detesto filmes assim!Porque parecem muito monótonos. Mas, realmente, isso que você falou sobre dar a impressão de “vídeo caseiro” foi muito bem desenvolvido no filme. Já vou aproveitar esse post para te dar os parabéns pelo seu blog. Você escreve muito bem! (o mateus denardin deveria ter umas aulas contigo de vez em quando, hehe! ;D)